EUA

Homem que culpou Trump por morte da mãe é acusado de mentir

Homem que culpou Trump por morte da mãe é acusado de mentir

Um cidadão norte-americano acusou a administração Trump de ter causado a morte à sua mãe doente, iraquiana mas residente nos EUA desde 1995, ao impedi-la de entrar no país para receber tratamento. Mas um imã acusou-o de estar a mentir.

Em causa está uma ordem executiva assinada pelo presidente dos Estados Unidos, na passada sexta-feira, que suspende a chegada ao país de todos os refugiados por um período mínimo de 120 dias (prazo indeterminado para migrantes sírios) e que impede, durante três meses, a entrada de cidadãos de sete países de maioria muçulmana, entre eles o Iraque.

Mike Hager, um pequeno negociante de Detroit, Estado do Michigan, contou que tinha voado há dias para o Iraque, país onde nasceu, para visitar a sua mãe, temporariamente no país a rever familiares.

E contou também que, quando Naimma, de 75 anos, se começou a sentir doente, Hager decidiu voltar com ela e com alguns sobrinhos para o Michigan - onde a sua mãe viveu durante 20 anos - para poder ter acesso a melhor tratamento médico.

Hager relatou até o seu grande "choque" quando, já no terminal do aeroporto, lhe foi dito que, apesar de os seus familiares terem "green card" (permissão de residência permanente nos EUA), teria de embarcar sozinho para os EUA, por ser o único com cidadania norte-americana.

Segundo a sua versão, Naimma ficou em terra. "Um responsável do aeroporto disse-nos que o presidente dos EUA tinha estabelecido uma regra e que, por isso, a minha família não poderia embarcar. (...) Fiquei chocado. Tive de voltar a levar a minha mãe para trás, numa cadeira de rodas, e chamar a ambulância", disse Hager em entrevista à Fox2, contando que, no dia seguinte ao sucedido, recebeu a notícia da morte da sua mãe.

Horas depois da publicação desta notícia, o imã da mesquita de Dearborn, Husham Al-Hussainy, disse ao mesmo canal que Hager mentiu e que a sua morreu, de facto, na sequência de uma doença renal, mas cinco dias antes da proibição lançada por Donald Trump.

Hager, que, entre 2003 e 2008, trabalhou para o exército norte-americano no Iraque como intérprete e conselheiro cultural, chegou a culpar o executivo de Trump de "destruir" a sua família.

"Ela foi-se por causa dele. Os EUA são a nossa casa. Estamos aqui há muito tempo, estamos aqui desde que somos crianças. Se não me querem no Iraque e não me querem aqui, então vou para onde? O que é que é suposto eu fazer com a minha família?", desabafou.

Apesar de ter nascido no Iraque, Hager foi cedo para os EUA, durante a Guerra do Golfo, onde viveu com a família num campo de refugiados durante quatro anos, altura em que se estabeleceu em Detroit, disse à imprensa norte-americana.

"Eu acredito realmente nisto: se eles nos tivessem deixado embarcar, a minha mãe tinha sobrevivido e estaria sentada aqui à minha beira", afirmou Hager, apelando ao novo presidente norte-americano para ter o cuidado de "não pôr toda a gente no mesmo saco".

"Metam os terroristas de lado, as más pessoas, mas não juntem toda a gente", acrescentou.

Desde sexta-feira, mais de quatro milhões de pessoas assinaram uma carta aberta ao executivo de Trump, a criticarem as novas medidas anti-imigração.