Relações internacionais

Imagens russas da ajuda dos EUA ao Estado Islâmico são de videojogo

Imagens russas da ajuda dos EUA ao Estado Islâmico são de videojogo

O Ministério da Defesa russo acusou as forças norte-americanas de estarem a cooperar com combatentes do autoproclamado Estado Islâmico, numa cidade síria retirada aos rebeldes. Acontece que as "provas irrefutáveis" da cooperação foram falseadas.

O Ministério da Defesa russo publicou, na terça-feira, um comunicado onde refere que uma operação conjunta entre forças do governo sírio e da Rússia na cidade de Abu Camal (província de Deir ez-Zor) "identificou a interação direta e o apoio" entre a coligação internacional liderada pelos EUA e os radicais do Estado Islâmico (EI).

Na nota, publicada no Facebook e Twitter da instituição, o Ministério acusa os Estados Unidos de terem recusado bombardear zonas ocupadas por combatentes do EI e de terem, ainda, permitido que unidades terroristas que fugiam de Abu Camal se reagrupassem nos territórios controlados pela coligação norte-americana, na fronteira sírio-iraquiana, de forma a atacarem as forças do regime de Bashar al-Assad.

"Os EUA estão a cobrir unidades do Estado Islâmico para recuperarem as suas capacidades de combate, redistribuí-las, e usá-las para promoverem interesses norte-americanos no Médio Oriente", lê-se no comunicado.

As conclusões russas terão sido retiradas, na semana passada, quando as forças russas ajudavam as tropas sírias a libertarem Abu Camal das mãos dos rebeldes.

Anexadas à nota ministerial original, surgiam cinco fotografias que, segundo a instituição russa, constituíam "prova irrefutável" das alegações expostas. Acontece que nenhuma das imagens, agora apagadas e substituídas, foram captadas durante a operação em causa.

Uma das fotografias é, segundo o "The Guardian", retirada de um vídeo promocional de um jogo de computador chamado "AC-130 Gunship Simulator: Special Ops Squadron". E as outras quatro imagens são de uma operação iraquiana contra o Estado Islâmico, divulgada pelo Ministério da Defesa do Iraque, em 2016, garante a "Conflict Intelligence Team", um grupo de investigadores online russos que verificam factos divulgados pelas forças militares do país.

Depois de a validade das imagens ter sido posta em causa, o Ministério da Defesa apagou-as da publicação de Facebook e do Twitter.

De acordo com o "The Guardian", o Ministério garantiu que ia investigar o incidente, cuja autoria atribui a um funcionário que se terá "enganado" na seleção de fotografias.

"Ainda assim, a recusa por parte do comando dos Estado Unidos em atacar unidades terroristas do Estado Islâmico do Iraque e da Síria, que se retiraram de Abu Camal dia nove de novembro, é um facto objetivo refletido nas transcrições das conversações e, portanto, totalmente conhecido do lado dos EUA", disse o Ministério, citado pela agência de notícias russa Interfax.

Esta não é a primeira vez que a Rússia, que se posicionou ao lado do governo de Bashar al-Assad, acusa o ocidente de apoiar grupos extremistas na Síria.

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