Reino Unido

Irlanda não será "a porta dos fundos" em caso de Brexit sem acordo

Irlanda não será "a porta dos fundos" em caso de Brexit sem acordo

A Irlanda não será "a porta dos fundos" para o acesso do mercado europeu em caso de um cenário de "não acordo" sobre a saída britânica da União Europeia ('Brexit'), advertiu esta terça-feira, em Paris, o primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar.

"Não queremos que a Irlanda se torne a porta dos fundos para aceder ao mercado europeu", afirmou, em declarações aos jornalistas, Leo Varadkar, após um encontro com o Presidente francês, Emmanuel Macron.

Varadkar afirmou estar determinado em impedir a entrada de bens que não respeitem as normas europeias na Irlanda e em outros países europeus.

"Num caso improvável, de termos um 'não acordo', e do Reino Unido estabelecer acordos com os Estados Unidos ou com a China e que existam frangos com lixívia ou carne bovina com hormonas, ou produtos feitos em países asiáticos através de trabalho infantil, a última coisa que queremos é que esses produtos entrem pela República da Irlanda", frisou o governante.

"E nós certamente que não queremos que eles entrem na União Europeia (UE) através da República da Irlanda", acrescentou Leo Varadkar, reiterando mais uma vez a recusa de Dublin perante um eventual regresso de uma fronteira física entre a província britânica da Irlanda do Norte e a República da Irlanda.

Incerto e imprevisível são as palavras que podem caracterizar, neste momento, o processo da saída britânica da UE e os termos da futura relação entre Londres e o bloco comunitário composto por outros 27 países.

Após um conselho de ministros que durou sete horas para discutir o atual impasse no parlamento relativo ao 'Brexit', a primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou hoje que o Reino Unido vai pedir outro adiamento curto para a data de saída do Reino Unido da UE para depois de 12 de abril.

"Sei que há muitas pessoas que estão cansadas com os atrasos e constantes discussões que prefeririam sair sem acordo na próxima semana", disse May, referindo, porém, que "sair com um acordo é a melhor solução".

Numa intervenção a partir da residência oficial, em Downing Street, Theresa May disse que o país vai precisar de "uma extensão adicional do Artigo 50.º do Tratado da UE [que prevê a saída de um Estado-membro], uma que seja o mais curta possível e que termine quando aprovarmos um acordo".

May admitiu que a divergência entre deputados "não pode arrastar-se por muito mais tempo" e que, "apesar dos melhores esforços dos deputados, o processo que a Câmara dos Comuns [câmara baixa do parlamento] tentou organizar não chegou a nenhuma resposta".

Na segunda-feira à noite, os deputados britânicos rejeitaram quatro opções alternativas ao acordo de saída negociado entre May e Bruxelas, documento esse que já chumbaram três vezes.

Os deputados britânicos já tinham tentado assumir o controlo do processo de saída do Reino Unido da UE na semana passada, propondo soluções para ultrapassar o impasse em que o país se encontra, mas foi em vão: divididos quanto ao formato que deverá ter o divórcio do bloco comunitário, acabaram por votar contra os oito cenários em análise.

Na intervenção de hoje, e para tentar encontrar uma saída, May propôs encontrar-se com o líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn, para tentar chegar a um acordo que garanta uma saída ordenada da UE.

O Conselho Europeu concordou em 21 de março estender o artigo 50.º até 22 de maio, desde que o Acordo de Saída fosse aprovado pela Câmara dos Comuns até sexta-feira passada, estipulando uma prorrogação até 12 de abril caso o texto fosse novamente chumbado.

A próxima data chave para esclarecer o futuro britânico é 10 de abril, dia de Conselho Europeu extraordinário dedicado ao 'Brexit'.