Mundo

Israel cancela libertação de presos palestinianos

Israel cancela libertação de presos palestinianos

Israel decidiu anular a libertação do último grupo de prisioneiros palestinianos, previsto no âmbito de conversações de paz, caso não seja retirado o pedido de adesão da Autoridade Palestiniana a diversos tratados internacionais.

A ministra israelita Tzipi Livni, responsável pelo dossier das negociações, informou o negociador palestiniano Saeb Erekat sobre a recusa de Israel em honrar a promessa de libertação de 26 detidos devido à decisão da direção palestiniana em pedir a adesão a 15 acordos e tratados internacionais, refere a edição digital do diário Yediot Aharonot.

Na semana passada, Israel tinha já anunciado que apenas libertaria os presos caso os palestinianos dessem garantias que as conversações de prolongariam se para além de 29 de abril, o fim do prazo estipulado quando foi retomado o diálogo.

Numa primeira reação, os Estados Unidos consideraram que a anulação desta medida "criou dificuldades" ao processo de paz.

"A decisão pelos israelitas de atrasar a libertação do quarto grupo de prisioneiros criou dificuldades", sublinhou Jay Carney, porta-voz da Casa Branca.

Após a recusa de Israel em libertar o quarto e último grupo de prisioneiros, que deveria ter sido concretizada no sábado, a direção palestiniana respondeu na quarta-feira ao solicitar oficialmente a adesão a 15 acordos e tratados internacionais.

Ainda na noite de quarta-feira, um encontro de última hora destinado a reduzir as divergências juntou o enviado norte-americano Martin Indyk, Tzipi Livni e Saeb Erakat.

Insatisfeito com as propostas de compromisso para solucionar o litígio em torno dos prisioneiros, discutidas entre o secretário de Estado dos EUA, John Kerry e o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahumd Abbas, assinou na terça-feira os pedidos de adesão a 15 acordos e tratados internacionais, a começar pelas Convenções de Genebra para a proteção dos civis.

No entanto, os dirigentes palestinianos também emitiram declarações apaziguadoras, ao assegurarem que pretendem prosseguir as negociações.

"Permanecemos envolvidos nestas conversações e assim continuaremos até 29 de abril", assegurou quarta-feira o ministro palestiniano dos Negócios Estrangeiros, Riyad al-Malki, numa referência ao prazo final imposto a este novo processo negocial que foi relançado em julho de 2013 sob o patrocínio de Kerry.

Israel e os Estados Unidos já criticaram a iniciativa palestiniana junto das Nações Unidas, definida como uma "diversão" em relação ao processo de paz.

Numa fase anterior do processo, Netanyahu exigiu o reconhecimento de Israel como um "Estado judaico", de imediato considerada pelos negociadores palestinianos como uma forma de impedir o prosseguimento do diálogo, e enquanto prosseguem os planos de ampliação dos colonatos nos territórios ocupados.

Parte da coligação governamental israelita já apelou a Netanyahu para tomar a iniciativa de interromper nas negociações. "Este encontro (tripartido, na quarta-feira) após os pedidos dos palestinianos junto às Nações Unidas, contrária aos seus compromissos, é um insulto ao Estado de Israel", declarou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Zeev Elkin, membro do Likud (direita nacionalista), o partido de Netanyahu.

Na quarta-feira, o coordenador especial da ONU para o processo de paz no Médio Oriente recebeu da direção palestiniana os pedidos de adesão a 13 convenções ou tratados internacionais de que as Nações Unidas são depositários.

Entre os textos figuram designadamente as convenções de Viena sobre relações diplomáticas, a convenção sobre os direitos da criança, a convenção contra a tortura e ainda contra a corrupção.

Após os pedidos serem oficialmente transmitidos à ONU "vamos estudá-los e decidir qual o seu destino", precisou na ocasião o porta-voz adjunto da ONU, Farhan Haq.

O estatuto de Estado observador obtido em novembro de 2012 na ONU permite aos palestinianos o acesso a diversas convenções e organizações internacionais.