Sri Lanka

"Isto é desolador". Família portuguesa escapou a explosões

"Isto é desolador". Família portuguesa escapou a explosões

Dois turistas portugueses que estão de visita, com os filhos, ao Sri Lanka, vão tentar chegar ao aeroporto antes do recolher obrigatório no país.

Ana Inácio explicou à Lusa que os pais, que tinham previsto sair do país às 24 horas locais, vão para o aeroporto "várias horas antes", para poder evitar o recolher obrigatório decretado na sequência dos ataques que provocaram, este domingo, mais de 200 mortos, entre os quais um português.

"Só têm voo à meia-noite de hoje, mas vão ver se conseguem partir para lá já e não ficarem em terra. O nosso hotel em Negombo informou-nos que o recolher obrigatório é a partir das 18 horas e até as seis da manhã de amanhã [segunda-feira] e ninguém está autorizado a circular no Sri Lanka", disse a filha do casal que está a terminar um curto período de férias no país.

"Isto é desolador", contou a portuguesa que está com a família num hotel a cerca de um quilometro a norte da igreja de São Sebastião, em Negombo, uma das igrejas onde ocorreu uma explosão.

Pelo menos 207 pessoas morreram, entre as quais 35 estrangeiros, e 469 ficaram feridas depois de registadas oito explosões em quatro hotéis, um complexo residencial e três igrejas no Sri Lanka.

As explosões ocorreram "quase em simultâneo", pelas 8.45 horas (3.15 horas em Portugal continental), de acordo com fontes policiais citadas por agências internacionais. Os atentados não foram ainda reivindicados.

"Estamos sem acesso a Facebook, Messenger e WhatsApp", contou Ana Inácio.

"As lojas em Colombo e restaurantes também tiveram instruções para fechar para evitar gente a passear na rua, e os turistas foram também aconselhados a regressar aos seus hotéis", disse.

A família almoçou num restaurante católico "e os donos estavam inconformados".

"Uma das filhas, professora, começou a chorar à nossa frente e o pai, penso que era o pai, disse que foi tão difícil alcançarem a paz há 10 anos depois de tanta violência", contou.

Atentados desta magnitude não tinham tido lugar no Sri Lanka desde a guerra civil entre a guerrilha tâmil e o governo, um conflito que durou 26 anos e terminou em 2009, e que deixou, de acordo com dados da ONU mais de 40 mil civis mortos.