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Itália investiga maus tratos a imigrantes em Lampedusa

Itália investiga maus tratos a imigrantes em Lampedusa

Um vídeo difundido pelo canal italiano de televisão RAI que mostra imigrantes ilegais no centro de acolhimento de Lampedusa obrigados a despirem-se e a serem desinfestados está a causar indignação em Itália. Na sequência das imagens o Governo já anunciou um inquérito à forma como são tratadas estas pessoas no centro de acolhimento. Veja o vídeo.

Nas imagens, difundidas pelo telejornal da cadeia de televisão estatal RAI2, vê-se alguns imigrantes a despirem-se até ficarem nus em frente dos seus companheiros de viagem e, depois, a serem desinfestados, com as imagens a serem entrecortadas pelos comentários do autor das imagens, um refugiado sírio não identificado.

Os imigrantes são mantidos em fila, ao ar livre e em pleno Inverno. O autor das imagens comenta que a cena é, aparentemente, um esforço para combater problemas na pele como a sarna e que homens e mulheres têm que pssar por tal procedimento com frequência.

Uma das primeiras pessoas a levantar a voz em protesto foi a presidente da câmara de Lampedusa, uma ilha italiana no Sul, que recentemente saltou para as páginas dos jornais devido à morte de centenas de imigrantes que naufragaram ao tentar chegar a Itália vindos de África.

Nas declarações feitas à televisão local, a autarca, Guisi Nicolini, considerou que as imagens gravadas por um telemóvel de um dos imigrantes eram próprias "de um campo de concentração". "Estas imagens recordam-me um campo de concentração e demonstram que o modelo de acolhimento, de que Lampedusa e Itália se envergonham, tem de mudar", denunciou a responsável, acrescentando que nunca esperaria ver estas imagens menos de dois meses depois do naufrágio que vitimou 366 pessoas e que motivou "lágrimas e promessas" relativamente à maneira como a Europa trata os imigrantes ilegais que tentam entrar no continente.

Depois da divulgação do video, as reações continuaram: o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados pediu ao Governo italiano soluções urgentes para melhorar as condições do centro de acolhimento em Lampedusa.

A ilha italiana de Lampedusa saltou para as páginas da imprensa mundial a 3 de outubro, quando 366 imigrantes que tentavam chegar à Europa morreram num naufrágio, mas, desde então, os barcos não pararam de chegar.

Ainda na quarta-feira, cerca de 265 imigrantes oriundos de vários países africanos que, a bordo de três embarcações, pretendiam alcançar a pequena ilha situada entre a Sicília e a Tunísia, foram socorridos pela Marinha italiana.

Nas 24 horas anteriores, 900 outros imigrantes tinham sido recolhidos nas águas do Mediterrâneo, patrulhadas por um destacamento naval italiano desde os vários naufrágios de outubro.