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Já foram perseguidas 158 pessoas por ajudarem migrantes

Já foram perseguidas 158 pessoas por ajudarem migrantes

A solidariedade é cada vez mais criminalizada, apesar da diminuição dos resgates. A par disso, sobe a percentagem de mortes no Mediterrâneo.

Carola Rackete é o nome mais sonante. Por ser o último a entrar nos noticiários. Os franceses recordarão o de Cédric Herrou, por cá ecoa o de Miguel Duarte. São apenas três dos 158 perseguidos por estenderem a mão a migrantes e refugiados entre 2015 e este mês. São acusados de auxílio à imigração. Só no ano passado, foram 104. Voluntários, funcionários de ONG, jornalistas, autarcas, médicos, gente igual a toda a gente que só marca alguma diferença por ser solidária. Por colmatar as falhas das autoridades quando estas colocam a proteção das fronteiras à frente dos direitos humanos. Por ter ido para o mar quando as nações deixaram de fazê-lo.

Os números são da Plataforma de Pesquisa Social sobre Migração e Asilo e constam de um estudo financiado pela União Europeia que aponta o dedo a 11 países, com a Grécia (53 casos), Itália (38) e França à frente. E que revela que a "facilitação da entrada" de migrantes é criminalizada em 24 dos 28 países da União Europeia. Uma das poucas boas notícias é que Portugal é um dos quatro que ficam de fora, a par da Alemanha, da Irlanda e do Luxemburgo, países onde a criminalização implica a constatação de lucro.