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"Jiadista dizia que cortar cabeças era necessário e bom"

"Jiadista dizia que cortar cabeças era necessário e bom"

Maurizio Romanelli é o procurador nacional adjunto do Ministério Público de Itália, trabalhando na Direção "Anti-Máfia" e no combate ao terrorismo internacional. Pelas suas mãos passaram casos de italianos punidos por adesão à organização terrorista Daesh, também conhecida por Estado Islâmico. Esteve há dias na conferência do Porto da Associação Internacional de Procuradores, organizada pelo Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, onde partilhou as suas experiências.

O magistrado refere que, quanto ao terrorismo, a dificuldade prende-se com a necessidade de "combater e prevenir o fenómeno ao mesmo tempo", o que é "muito difícil" para o "sistema judicial e para os serviços secretos". A resposta para o problema da adesão de cerca de 120 a 130 italianos ao Daesh tem de ser "judicial". "Quando uma pessoa sai do país temos de "trabalhar" essa pessoa. Não podemos dizer: "foi embora, já não é um problema interno, é um problema militar". Temos de continuar a trabalhar porque essa pessoa, em primeiro lugar, estava no nosso país. Segundo, se ele ou ela decidiram ir, isso significa que alguém esteve com eles, fisicamente ou através da Internet, para os radicalizar. Por isso, temos de nos focar em quem trabalhou nela".

Um dos casos mediatizados em Itália foi o de Fátima, uma mulher que se radicalizou e que as autoridades italianas conseguiram vigiar, através de um telemóvel e da sua conta na aplicação "skype", na Internet. "Com um número de telefone para o qual ela ligou apenas uma vez, conseguimos ouvir coisas incríveis sobre as regras do Estado Islâmico: o que tinham de fazer para ir para lá, como se deviam preparar... Isso foi significativo para todos os países, porque são informações, ou melhor, provas de utilidade pública".