EUA

Jornais norte-americanos defendem liberdade de imprensa face a críticas de Trump

Jornais norte-americanos defendem liberdade de imprensa face a críticas de Trump

Centenas de jornais norte-americanos responderam esta quinta-feira às críticas do presidente Donald Trump, que já chamou aos jornalistas o "inimigo do povo", com editoriais que insistem na importância da liberdade de imprensa.

A convite do diário "The Boston Globe", perto de 350 organizações noticiosas comprometeram-se a participar na frente comum para desarmar a retórica hostil de Trump, segundo Marjorie Pritchard, editora-adjunta da página editorial daquele histórico jornal.

O "Post-Dispatch", de Saint Louis, designou os jornalistas de "mais verdadeiros dos patriotas", enquanto o "Chicago Sun-Times" disse acreditar que a maioria dos norte-americanos sabe que o que Trump diz é absurdo.

O "Observer" da Carolina do Norte declarou esperar que "todos os apoiantes do Presidente reconheçam o que ele está a fazer - manipular a realidade para conseguir o que quer".

A resposta conjunta chega uma semana depois de Trump ter insistido mais uma vez em diabolizar a imprensa norte-americana.

"As [empresas de] notícias falsas odeiam que eu diga que são o Inimigo do Povo só porque sabem que é VERDADE. Eu estou a prestar um grande serviço ao explicar isto ao povo americano", escreveu o chefe de Estado na sua conta da rede social Twitter.

"[Os 'media'] causam grande divisão e desconfiança de propósito. Também podem causar uma guerra! São muito perigosos e doentes!", acrescentou.

No seu editorial, o "Globe" escreveu: "Temos hoje nos Estados Unidos um Presidente que criou um mantra de acordo com o qual qualquer meio de comunicação social que não apoie abertamente a política da administração atual é 'inimigo do povo'".

"É uma das numerosas mentiras espalhadas pelo nosso presidente como um charlatão do passado lançava pó ou 'água mágica' sobre a multidão cheia de esperança", adiantou.

O "Mercury News" de San Jose, Califórnia, insistiu: "Não somos o inimigo".

Alvo frequente das críticas de Trump, o "New York Times" publicou um editorial curto, com o título em maiúsculas "A IMPRENSA LIVRE PRECISA DE VÓS" e lembrando que as pessoas têm o direito de criticar os media. "Mas insistir no facto das verdades que vos desagradam serem 'falsas notícias' é perigoso para a democracia", escreveu o jornal.

A Associação Noticiosa de Rádio e Televisão Digital, que representa mais de 1200 emissoras e sites, também pediu aos seus membros para chamarem a atenção para o importante trabalho dos jornalistas de pedirem explicações e responsabilizar o governo.

Ken Paulson, antigo chefe de redação do USA Today e um dos responsáveis pelo museu da informação em Washington, o Newseum, concordou que a imprensa "deve defender-se quando o homem mais poderoso do mundo tenta enfraquecer a primeira emenda" da Constituição norte-americana, que defende a liberdade de expressão.

Mas relativizou a eficácia desta campanha de sensibilização, considerando que quem lê os editorais "não precisa de ser convencido". "Não são eles que gritam (aos jornalistas) nos comícios presidenciais", disse.

O Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al-Hussein, sustentou que as agressões verbais do Presidente norte-americano "se estão a aproximar muito da incitação à violência".

Trump volta a criticar media em dia de campanha pela liberdade de imprensa

O presidente norte-americano, Donald Trump, voltou esta quinta-feira a criticar os meios de comunicação social, no mesmo dia em que centenas de jornais numa campanha coordenada insistiram na importância da liberdade de imprensa.

"Não há nada que desejasse mais para o nosso país que uma verdadeira LIBERDADE DE IMPRENSA. O facto é que a imprensa é LIVRE para escrever e dizer o que quiser, mas muito do que diz são NOTÍCIAS FALSAS, forçando uma agenda política ou tentando apenas ferir as pessoas. A HONESTIDADE VENCE", escreveu Trump na rede social Twitter.

O presidente dos Estados Unidos adiantou: "OS MEDIA DAS NOTÍCIAS FALSAS SÃO O PARTIDO DA OPOSIÇÃO. É muito mau para o nosso grande país ... MAS ESTAMOS A GANHAR".