Tiananmen

Jornal chinês acusa "forças anti-China" de usar Tiananmen para tentar "desestabilizar"

Jornal chinês acusa "forças anti-China" de usar Tiananmen para tentar "desestabilizar"

Um jornal de Pequim quebrou, esta quarta-feira, o silêncio da imprensa oficial acerca do 25.º aniversário da repressão militar do movimento pró-democracia da Praça Tiananmen, acusando "forças anti-China" ocidentais de utilizarem a efeméride para tentar "desestabilizar" o país.

"A sociedade chinesa não esqueceu o incidente de há 25 anos, mas o facto de não falar sobre isso mostra a atitude da sociedade", diz o Global Times, uma publicação em inglês do grupo Diário do Povo, órgão central do Partido Comunista Chines (PCC).

Num raro editorial sobre os dramáticos acontecimentos de 4 de junho de 1989, o dia em que o exército chinês esmagou um movimento de contestação iniciado por estudantes, o Global Times afirma que "as novas gerações têm evitado ser manipuladas por forças contrárias ao atual sistema político da China".

"A maioria dos chineses confia no progresso da China e na vontade de mudar o país através de um processo geral de reformas. Não está interessada nos apelos revolucionários vindos do estrangeiro", afirma o jornal.

"Só um pequeno número de chineses quer dançar ao ritmo do Ocidente", acrescenta.

Centenas de pessoas morreram naquele 4 de Junho - o "Liu Si" ("4 do 6"), como dizem os chineses - mas o número exato de mortos continua a ser segredo de Estado.

"A China bloqueou informação relevante para impedir que isso influenciasse o bom desenvolvimento da política de reforma económica e abertura ao exterior", justifica o Global Times.

Segundo realça o jornal, a China, entretanto, "transformou-se na segunda economia mundial", logo a seguir aos Estados Unidos da América, enquanto a "União Soviética se dissolveu" e "o comunismo caiu na Europa de leste".

"A sociedade chinesa ainda se lembra como era pobre há 25 anos (...) o que está a acontecer na Ucrânia e na Tailândia afetou-nos mais do que os sermões e apelos do Ocidente (...) Nunca seguiremos os passos do Ocidente", proclama o jornal.

Oficialmente, o movimento pró-democracia de 1989 é considerado "uma rebelião contrarrevolucionária".

As Mães de Tiananmen, grupo fundado por mulheres que perderam os filhos no "Liu Si", e que reclama a reavaliação do veredito oficial sobre aquele dia, já identificaram 202 mortos.

Milhares de outros foram presos ou exilaram-se.

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