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Jornalista descreveu Strauss-Kahn como "um chimpanzé com cio"

Jornalista descreveu Strauss-Kahn como "um chimpanzé com cio"

Uma jornalista e escritora francesa acusou, em Fevereiro de 2007, durante uma emissão de televisão, Dominique Strauss-Kahn de a ter agredido, referindo-se ao actual director do FMI como "um chimpanzé com cio".

Tristane Banon, uma jovem jornalista e escritora francesa, contou durante uma emissão do programa "93, Faubourg Saint-Honoré", com vários convidados, que tinha sido vítima de uma tentativa de agressão sexual por parte de um político muito conhecido, e que acusou de ser "um chimpanzé com cio".

Apesar de Tristane Banon falar expressamente de "DSK" (como Strauss-Kahn é conhecido geralmente em França), o nome foi "bipado", para que os espectadores não pudessem saber de quem se tratava.

O director do FMI encontra-se sob custódia policial, depois de ter sido acusado na madrugada de domingo de agressão sexual, tentativa de violação e sequestro de uma empregada de hotel no quarto onde estava hospedado em Nova Iorque

No programa de 2007, Tristane Banon contava todos os detalhes do encontro com DSK, ocorrido em 2002 num apartamento "completamente vazio", onde Strauss-Kahn tinha marcado encontro para "esclarecer uma resposta" a uma questão da entrevista que concedera a Tristane Banon.

A jornalista trabalhava num livro baseado nas respostas de várias personalidades sobre "os erros da sua vida" e em que a reputação de mulherengo de DSK era abordada.

Um ano mais tarde, Tristane Banon confirmou que na emissão televisiva se referia mesmo a DSK, corroborando declarações no mesmo sentido feitas pelo apresentador do programa, Thierry Ardisson. "Acabámos por andar à pancada", contou.

"Problema" conhecido mas não falado

O caso é agora contado no blogue Rue89, que recorda que DSK beneficiou de um longo silêncio dos jornalistas sobre a sua vida privada e os sucessivos casos amorosos.

Em 2007, na altura da sua nomeação para o Fundo Monetário Internacional, um jornalista do "Libération" escreveu que "o único problema de Strauss-Kahn é a sua relação com as mulheres": "Demasiado insistente, roça frequentemente o assédio. Um defeito conhecido dos media mas de que ninguém fala".

Havia também referências em livros, sem nomear DSK, sobre um político socialista francês que frequentava no final dos anos 80 o clube "échangiste" (de troca de casais) Les Chandelles, em Paris.

Mãe denuncia pressões

Anne Mansouret, mãe de Tristane Banon e colaboradora do Rue89, acusa a equipa de DSK de anos seguidos de pressões sobre a sua filha, "com consequências muito pesadas sobre a sua vida profissional" e sobre o seu equilíbrio.

"Tristane teve uma depressão que durou anos", acusa a mãe da jornalista, referindo que o seu livro, que devia sair no Outono de 2011, foi adiado devido a pressões dos assessores de DSK, provável candidato às presidenciais de 2012.

Christophe Deloire, autor de um livro sobre sexo e política e director do Centro de Formação de Jornalistas, escreve, esta segunda-feira, no diário "Le Monde" que o relacionamento de Strauss-Kahn com as mulheres constituem "vulnerabilidades e revelam riscos que não foram considerados para um homem de Estado".

No livro de Deloire, "Sexus Politicus", havia um capítulo intitulado "O Caso DSK". Como lembra hoje o autor, "as cenas descritas não eram apenas seduções de salão", mas a imprensa sempre protegeu Strauss-Kahn.

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