Crise

Juan Guaidó admite pedir intervenção militar dos EUA na Venezuela

Juan Guaidó admite pedir intervenção militar dos EUA na Venezuela

O autoproclamado Presidente da Venezuela, Juan Guiadó, diz que avaliará "todas as opções" para destituir Nicolás Maduro e que considera pedir aos Estados Unidos uma intervenção militar.

Guaidó conta com o apoio de mais de 50 países, incluindo os EUA, o Reino Unido e a maioria das nações latino-americanas, e disse à BBC que o apoio que recebeu dos EUA foi "decisivo".

"Acho que a posição do Presidente [Donald] Trump é muito firme, o que apreciamos, assim como o mundo inteiro", afirmou.

Questionado sobre se gostaria que Trump e os militares dos EUA interviessem na Venezuela, Guaidó respondeu que é "responsável por avaliar" a possibilidade de intervenção internacional, acrescentando: "Como presidente do parlamento nacional, avaliarei todas as opções, se necessário".

Contudo, Trump disse aos jornalistas na sexta-feira que não estava a pensar envolver os militares dos EUA na Venezuela.

Afirmou ainda que, num telefonema, o Presidente russo, Vladimir Putin, lhe garantiu que "não queria envolver-se na Venezuela para além de gostar de ver algo positivo a acontecer" no país. "Sinto o mesmo", terá respondido Trump.

Mas o secretário de Estado Mike Pompeo teve palavras mais duras para a Rússia no domingo, dizendo à emissora norte-americana ABC que "os russos devem sair".

"É muito claro, queremos que os russos saiam, queremos os iranianos, queremos os cubanos [fora da Venezuela]", afirmou.

Guaidó declarou-se Presidente interino da Venezuela em janeiro. Como líder da Assembleia Nacional controlada pela oposição, invocou a constituição para assumir uma presidência interina, argumentando que a reeleição de Maduro no ano passado foi ilegítima.

Na semana passada, o líder da oposição venezuelana lançou uma tentativa fracassada de desencadear uma rebelião militar e forçar Maduro a sair do poder.

Mas Maduro, que é apoiado pela Rússia, a China e os líderes do exército da Venezuela, recusou ceder o poder.

Em resposta aos confrontos da semana passada, Nicolas Maduro apareceu na sexta-feira ladeado por soldados numa base do Exército em Caracas, apelando às forças armadas para derrotarem "qualquer conspirador".

"Ninguém ousa tocar no nosso solo sagrado ou trazer a guerra à Venezuela", acrescentou Maduro, num desafio que se seguiu a dias de confrontos, durante os quais cinco pessoas morreram, incluindo dois adolescentes.

Mas Guaidó nega que tenha sido derrotado, dizendo à BBC que o presidente Maduro "vem perdendo várias vezes".

"Acho que o que realmente se magoa é Maduro", afirmou, acrescentando: "Ele tem perdido todas as vezes. Está cada vez mais fraco, cada vez mais sozinho e não tem apoio internacional. Pelo contrário, ganhamos aceitação, apoio e opções futuras."

Alega ainda que é "muito visível que as forças armadas já não suportam Maduro".

Os confrontos registados desde a madrugada da passada terça-feira provocaram a morte de cinco manifestantes, três dos quais menores, e feriram outras 239 pessoas, segundo informações das Nações Unidas.