Espanha

Juiz proíbe ex-tesoureiro do PP de sair de Espanha

Juiz proíbe ex-tesoureiro do PP de sair de Espanha

O juiz Pablo Ruz decidiu obrigar o ex-tesoureiro do Partido Popular Luis Bárcenas a entregar o passaporte, impedindo-o de abandonar Espanha sem avisar as autoridades. Luis Bárcenas terá também de comparecer quinzenalmente em tribunal.

As medidas cautelares foram impostas pelo juiz da Audiência Nacional após o interrogatório a que foi submetido o também ex-senador pelo PP.

Durante as três horas em que declarou perante o juiz, os inspetores anticorrupção e 21 advogados, Bárcenas tentou explicar a origem do dinheiro oculto que manteve em contas na Suíça e que nunca declarou ao Fisco.

O ex-tesoureiro reconheceu que chegou a acumular 30 milhões de euros e defendeu--se dizendo que a sua fortuna provém da realização de vários negócios (que teria iniciado ainda antes dos 30 anos), como investimentos em Bolsa, ativos imobiliários e compra e venda de obras de arte. Só por uma operação com valores da "Endesa" obteve lucros de seis milhões de euros, afirmou. Fez questão também de sublinhar que o dinheiro que tinha escondido em entidades suíças não tem qualquer relação com fundos provenientes do PP. Bárcenas negava assim as suspeitas de financiamento ilegal no partido atualmente no Governo.

Recorde-se que, de acordo com revelações feitas pela Imprensa espanhola, o antigo tesoureiro seria o responsável pela cobrança de doações irregulares feitas ao PP por parte de empresários, dinheiro este que depois distribuiu - durante cerca de 20 anos - pela cúpula do partido, incluído o presidente do Governo, Mariano Rajoy.

Apesar das explicações, o juiz instrutor do caso considerou necessário aplicar as medidas cautelares devido à existência de "numerosos e contundentes indícios de atuações por parte de Bárcenas que podem ser constitutivos de delitos contra as Finanças Públicas, suborno e branqueamento de capitais", podia ler-se no auto judicial.