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Juízes gregos pedem levantamento da imunidade de mais três deputados neonazis

Juízes gregos pedem levantamento da imunidade de mais três deputados neonazis

Os juízes que dirigem a investigação sobre a presumível atividade criminal do partido neonazi grego Aurora Dourada exigiram hoje ao parlamento, a pedido da Procuradoria, o levantamento da imunidade parlamentar de mais três deputados para que possam ser investigados.

Os três deputados são Iorgos Iermenis, Stathis Iliopulos e Stathis Bukuras, que integram o grupo parlamentar da Aurora Dourada, que conta com 118 membros.

Os juízes tomaram a decisão com base nos depoimentos de três testemunhas protegidas, designados 'testemunha C, 'testemunha D' e 'testemunha E', todos antigos militantes da organização neonazi.

O deputado Stathis Bukuras foi incriminado pela 'testemunha D', que o acusou de possuir um número indeterminado de pistolas Zastava 635, que estariam escondidas num convento abandonado da província de Corinto, 80 quilómetros a oeste de Atenas.

Além disso, acusou ainda Bukuras de ser o instigador das perseguições a imigrantes, que ocorreram em 2012 na velha estação de comboios e no porto de Corinto, onde viviam dezenas de indocumentados em vagões abandonados.

Pouco depois do meio-dia, Bukuras entregou-se à polícia para ser interrogado e colocou-se á disposição da polícia, mas já avisou que conhece a identidade da testemunha protegida.

A denominada 'testemunha C' declarou aos juízes que a ordem para assassinar o músico e cantor de 'rap' Pavlos Fyssas, politicamente de esquerda, morto em 18 de setembro por um militante neonazi, foi dada pelo deputado Iannis Lagos e que tanto o porta-voz do partido, Ilyas Kasidiaris, em liberdade sob fiança, como o líder do Aurora Dourada, Nikolaos Mijaliolakos, em prisão preventiva, tinham dado a sua concordância.

Ainda segundo o mesmo testemunho, o deputado Jristos Pappas, também em prisão preventiva, foi o máximo responsável pelas brigadas de choque do Aurora Dourada, sendo designado por "general de brigada".

A 'testemunha E' declarou que todos os militantes do Aurora Dourada estavam obrigado a ler o livro "Mein Kampf", de Adolf Hitler, o diário de Joseph Goebbels e os "Protocolos de Sião", para cimentar a tese de que "os inimigos são os comunistas e os judeus".

Acusou ainda o deputado do partido neonazi Jristos Mijos, colocado em liberdade condicional, depois de ter sido interrogado na semana passada, de o ter treinado para matar com arma branca.

O treino decorria, segundo a testemunha, numa quinta nos arredores de Atenas, onde mataram centenas de ovelhas para aprender a cortar as artérias carótidas.

Ainda segundo esta testemunha, os militantes do Aurora Dourada também recebiam treino no uso de armas de fogo, num estaleiro abandonado do monte Penteli, próximo da capital grega.

Por outro lado, os juízes determinaram hoje a prisão preventiva para o dirigente do Aurora Dourada no bairro de Perama, Athanasios Pantazis, acusado de dirigir o grupo de militantes que atacou membros do Partido Comunista, em 12 de setembro, ferindo nove, e pescadores egípcios em 2012, tendo um deles ficado gravemente ferido.

Pantazis é o sétimo membro do Aurora Dourada colocado em prisão preventiva desde que começaram as investigações sobre o partido neonazi.

Entre os que já estão detidos encontram-se o líder, Mijaloliakos, o seu lugar-tenente, Pappas, e o deputado Iannis Lagos.

Há ainda mais três deputados acusados, mas que se encontram em liberdade.

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