Justiça

Justiça espanhola mantém irmã do rei como arguida mas só por fraude fiscal

Justiça espanhola mantém irmã do rei como arguida mas só por fraude fiscal

A Audiência Provincial de Palma de Maiorca, Espanha, decidiu, esta sexta-feira, manter a irmã do rei Felipe VI, a infanta Cristina, como arguida no processo conhecido como "caso Nóos", acusada de delitos fiscais e branqueamento de capitais.

No auto dado a conhecer esta sexta-feira, o tribunal confirma que a procuradoria anticorrupção e as acusações particulares e popular podem agora formular uma acusação contra a infanta e pedir que seja julgada.

A infanta Cristina pode ser julgada por delitos fiscais, tendo-se arquivado o delito de branqueamento de capitais.

Os três membros do tribunal - Mónica de la Serna, Juan Jiménez y Diego Gómez Reino - mantêm a irmã do rei como arguida pelo papel que exerceu na sociedade Aizoon, de que era proprietária conjunta (50% cada) com o seu marido, Iñaki Urdangarin, também arguido neste processo.

No auto, decidido por unanimidade, os juízes da 2.ª secção da Audiência Provincial resolvem assim os 14 recursos apresentados pelas várias partes envolvidas no caso Nóos, cuja instrução terminou no passado dia 25 de junho.

Tanto a procuradoria anticorrupção como a defesa da infanta tinham pedido que deixasse de ser arguida no processo.

A instrução deste processo - que investigou o alegado desvio de fundos públicos pelo instituto Nóos, presidido por Urdangarin entre 2003 e 2006 - demorou 1.436 dias e resultou num processo de mais de 58 mil páginas e 62 volumes.

Foi aberto em fevereiro de 2006, depois de o PSOE nas Ilhas Baleares ter questionado no parlamento regional o pagamento de 1,2 milhões de euros ao Instituto Nóos pelo Governo regional para a realização de um encontro sobre turismo.

Investigações posteriores levaram à análise de outros acordos com o Nóos, tendo o processo acelerado em 2011 depois das primeiras rusgas e da primeira audição ao sócio de Urdangarin, Diego Torres.

O cunhado do rei espanhol foi constituído arguido em dezembro de 2011 e a sua mulher a 7 de janeiro, tendo prestado declarações ao juiz instrutor durante seis horas no passado dia 8 de fevereiro.

Nessa audição histórica - pela primeira vez, um membro de uma casa real europeia respondeu perante a justiça por um caso de corrupção - Cristina negou envolvimento no caso Nóos e desconhecimento sobre muitas das perguntas colocadas.

ver mais vídeos