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Kadafi garante que "morrerá como mártir"

Kadafi garante que "morrerá como mártir"

O líder líbio, Muammar Kadafi, garantiu, esta tarde, na televisão estatal líbia, que controla o país e que está preparado para enfrentar os opositores. Kadafi anunciou, ainda, reformas estruturais no país.

Foi a primeira vez que Kadafi fez um discurso à nação desde o início, há uma semana, de um movimento de contestação ao seu regime.

"Muammar Kadafi não tem um cargo oficial para que se demita. Muammar Kadafi é o líder da revolução, sinónimo de sacrifício até ao fim. Este é o meu país, o dos meus pais e antepassados", afirmou num discurso inflamado de mais de uma hora.

Ameaçando com repressão semelhante à de Tiananmen, o líder líbio prometeu lutar "até à última gota" do seu sangue, Kadafi apelou à polícia e ao exército para recuperarem o controlo da situação, ameaçando qualquer manifestante armado com a "pena de morte".

O líder líbio apelou aos seus apoiantes para "tomarem a rua aos manifestantes" a partir de quarta-feira. Kadafi prometeu que "perante esta situação" não vai sair da Líbia e sublinhou: "Este é o nosso país e o país dos nossos avós. Não vamos deixar que o destruam".

Kadafi responsabiliza um pequeno grupo de jovens pelos distúrbios ocorridos na última semana. "Um pequeno grupo de gente doente está a fazer circular drogas e armas para incitar os jovens a eventos como os da Tunísia e do Egipto", disse.

"Tirem os vossos filhos das ruas", apelou Kadafi. "O povo deve controlar a rua", disse, ainda, apelando às mães e às famílias para entregarem os jovens revoltosos ao Estado, para que sejam "desintoxicados".

Muammar Kadafi responsabilizou os Estados Unidos pelos distúrbios ocorridos no país, nos últimos dias. "Os portos e aeroportos estão bloqueados, a vida está paralisada, não há combustível. As pessoas têm medo", ilustrou, insistindo que na intervenção dos Estados Unidos.

"Todo o poder legislativo está nas mão do povo líbio. O povo é quem vai decidir", acrescentou.

O líder líbio dirigia-se ao país a partir das ruínas do palácio, destruído num bombardeamento ordenado pelo presidente norte-americano Ronald Reagan, e mantido em ruínas como símbolo contra o "invasor estrangeiro".

"No passado, resistimos aos EUA e ao Reino Unido. Não nos vamos render", garantiu Kadafi.