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"Kim Kardashian do Paquistão" morreu às mãos do irmão

"Kim Kardashian do Paquistão" morreu às mãos do irmão

A celebridade paquistanesa Qandeel Baloch foi morta, esta sexta-feira, pelo seu irmão, depois de uma discussão. A polícia diz que o homicídio terá sido um "crime de honra".

Qandeel Baloch, de 26 anos, tornou-se famosa no Paquistão por publicar nas redes sociais selfies e fotografias polémicas, que chocaram a sensibilidade da rígida cultura e sociedade paquistanesas.

A polícia diz que foi estrangulada pelo seu irmão, esta sexta-feira, na casa da família, na província de Punjab.

Este domingo, segundo escreveu a Reuters, Muhammad Waseem admitiu o crime e disse publicamente que não estava arrependido. Acrescentou ainda que matou a sua irmã devido ao seu comportamento nas redes sociais.

No Paquistão, são comuns os homicídios de mulheres que alegadamente "desonram" a sua família.

Baloch, também apelidada de Kim Kardashian do Paquistão, era considerada a primeira celebridade paquistanesa nascida nas redes sociais. Publicava imagens, vídeos e comentários que podiam ser considerados muito arriscados, especialmente num país patriarcal e tão arreigado às tradições muçulmanas.

Os pais da celebridade, que disseram à imprensa paquistanesa que o seu corpo foi encontrado no sábado, foram também detidos.

Qandeel teve de se mudar de Karachi para o Punjab, precisamente por causa de ameaças à sua segurança. A sua ascensão até ao topo das celebridades das redes no Paquistão começou em 2014, depois de publicar um vídeo em que fazia "beicinho" para a câmara e perguntava se estava bonita. O vídeo tornou-se viral. Numa entrevista recente, conta a BBC, foi muito crítica da sociedade patriarcal paquistanesa e descreveu-se como uma grande representante do "girl power" (do poder das mulheres).

O sucesso do seu percurso põe em evidência a divisão entre gerações no Paquistão. Saudada pelos mais novos como um ícone cultural pelas usas ideias e posições liberais, era também duramente criticada e sujeita a abusos e insultos machistas.

Os seus pedidos para ter mais segurança foram repetidamente ignorados pelo governo paquistanês.

Esta sexta-feira, acabou por morrer às mãos do seu irmão.

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