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Lars Vilks, cartunista polémico pelos desenhos de Maomé

Lars Vilks, cartunista polémico pelos desenhos de Maomé

O artista sueco Lars Vilks, que no sábado escapou ileso a um atentado durante um debate sobre islamismo e liberdade de expressão em Copenhaga, ficou célebre por uma caricatura de Maomé que desenhou.

Vilks, de 68 anos, anda a escapar da morte desde que, em 2007, desenhou o profeta do Islão com um corpo de cão.

A caricatura, publicada num jornal local sueco, valeu-lhe fama mundial, mas também ameaças de morte.

O seu assassínio foi então planeado pela cidadã norte-americana Colleen LaRose, também conhecida como "JihadJane", que terá recrutado islamitas para esse fim, segundo a justiça norte-americana, antes de ser detida, em outubro de 2009.

Em maio de 2010, dois jovens irmãos suecos de origem kosovar tentaram incendiar a casa de Vilks com 'cocktails' Molotov, mas ele não se encontrava em casa.

Em junho de 2010, foi atingido na cabeça durante um debate na universidade sueca de Uppsala que se transformou numa cena de pugilato.

Em setembro de 2011, centenas de pessoas foram retiradas de um edifício em Göteborg, na Suécia, onde estava a decorrer a inauguração da Bienal de Arte Contemporânea, porque a polícia tinha fortes indícios de que Lars Vilks iria ser atacado e deteve quatro pessoas. Contudo, o desenhador tinha desistido de ir ao evento.

O artista, que já não se desloca sem proteção policial, encara visivelmente as ameaças de forma filosófica. E não se arrepende do que aí o conduziu.

"Tento manter o meu sangue-frio. O lado bom das coisas é que as pessoas que andam atrás de mim estão provavelmente mal preparadas, são amadores", disse Vilks à agência de notícias francesa, AFP, em 2010.

"Não sou um racista fanático, não tenho posição política. Sou um artista que procura os limites, que quer descobrir o que se pode e não se pode fazer e onde poderá haver um debate", frisou.

O caricaturista considera, no entanto, ser "muito importante, se se quer falar da liberdade de expressão e do Islão e dos muçulmanos, ter uma verdadeira posição, ter qualquer coisa de suficientemente provocante e transgressor para iniciar um debate".

Figura controversa, Vilks é apreciado por todos quantos veem o islamismo como uma grave ameaça.

O célebre desenho da sua autoria encontra-se em todas as páginas da internet da sua comissão de apoio dinamarquesa, que divulgou também a sua agenda, embora se soubesse que o artista estaria no sábado naquele debate sobre "Arte, blasfémia e liberdade".

Essa comissão de apoio enviou ao semanário satírico francês Charlie Hebdo um prémio que atribui àqueles que Lars Vilks considera os maiores defensores da liberdade de expressão.

No dia do atentado terrorista à redação do Charlie Hebdo, 07 de janeiro, Vilks expressou a sua tristeza ao jornal regional Helsingborgs Dagblad.

"Não podemos desistir da liberdade de expressão. O atentado em Paris é infelizmente representativo da época que vivemos", declarou.

No sábado, os serviços de segurança suecos indicaram que vão estudar a forma que a sua proteção deverá, a partir de agora, assumir.

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