Charlie Hebdo

Liberdade de expressão tem de ter limites, diz imã de Madrid

Liberdade de expressão tem de ter limites, diz imã de Madrid

O imã na mesquita central de Madrid Riay Tatary considera que a liberdade de expressão, como todas as liberdades, tem limites e o semanário satírico francês "Charlie Hebdo" há muito que os passou.

"Todos desejamos a liberdade, mas esta tem sempre limites. A liberdade de expressão também", declarou em entrevista à agência Lusa Riay Tatary, acrescentando que o "Charlie Hebdo" há muito passou essa linha.

O semanário - que habitualmente satiriza o profeta Maomé, mas também figuras de outras religiões - foi alvo de um ataque terrorista no início de janeiro que resultou na morte de 12 pessoas, das quais 10 caricaturistas e jornalistas da publicação.

O imã na mesquita central de Madrid condenou o ato - como anteriormente tinha feito com outros atos terroristas associados ao jiadismo - mas isso não implica que concorde com o trabalho do "Charlie Hebdo".

"Agora foi o Papa a dizê-lo, mas nós sempre o dissemos: o meu direito termina onde o do outro começa. É por isso que a liberdade de expressão tem limites. Porque é que escolhem ferir os sentimentos de uma comunidade que representa quase uma quarta parte do Mundo?" - questiona o responsável.

Tatary, que é também presidente da União de Comunidades Islâmicas de Espanha, diz que nesta matéria, até está ao lado de cristãos e judeus, também eles "ridicularizados" pelo lápis do semanário francês.

"Não somos só nós: os católicos têm a mesma ideia, os judeus também. Porque estão a massacrar a fé através das caricaturas e com que finalidade o fazem?" - salienta. Em qualquer caso, reafirma, "a violência não conduz a nada". "Absolutamente. Não conduz nem resolve nada. Mas creio que faz falta impor limites razoáveis a tudo o que temos na vida. As liberdades não são absolutas", reforça.

Por isso mesmo, Tatary discorda de uma declaração recente do presidente da Câmara da cidade holandesa de Roterdão, um muçulmano de origem marroquina.

Ahmed Aboutaleb declarou que os muçulmanos que não gostem das "liberdades" do Ocidente, devem fazer as malas e ir embora.

"Não partilho desse ponto de vista. Se temos uma determinada reação (das pessoas), eu vou procurar o motivo dessa reação. Não lhes vou dizer uma frase como essa", salientou.