União Europeia

Londres publica proposta que garante "brexit íntegro e pragmático"

Londres publica proposta que garante "brexit íntegro e pragmático"

O documento com as propostas detalhadas para um relacionamento futuro entre o Reino Unido e a União Europeia, que é publicado esta quinta-feira pelo Governo britânico, garante um "brexit íntegro e pragmático", escreve no prefácio o ministro Dominic Raab.

"É uma visão que respeita o resultado do referendo e oferece um brexit íntegro e pragmático", garante ministro britânico para a saída da União Europeia (UE), Dominic Raab, um eurocético que fez campanha pela saída, num excerto tornado público antes da publicação do resto do documento durante o dia.

O Livro Branco, intitulado "A futura relação entre o Reino Unido e a União Europeia", sugere essencialmente a criação de uma área de comércio livre de bens, que garanta a continuação de trocas comerciais sem atrito nas fronteiras.

O Governo britânico propõe-se a respeitar um "livro comum de regras" que serão aplicados aos bens e produtos agrícolas, protegendo assim a atividade de muitas empresas britânicas que fazem parte de cadeias de fornecimento com países dos '27'.

Por outro lado, evita uma fronteira física com controlos e inspeções entre a Irlanda do Norte, que faz parte do Reino Unido, e da República da Irlanda, país membro da UE, respeitando assim os acordos de paz assinados em Belfast em 1998.

De fora ficaria a área dos serviços, a qual o Governo britânico quer desenvolver, procurando novos mercados para além do europeu.

Dominic Raab reitera que este modelo respeita o desejo da maioria dos britânicos de saírem da UE, expresso no referendo de 2016, ao sair do mercado único e da união aduaneira, que implicava aceitar a livre circulação de pessoas.

Por outro lado, dá ao país, afirma, "a flexibilidade de que necessita para fechar novos acordos comerciais em todo o mundo".

O ministro reitera a importância de existir entre o Reino Unido e a UE uma parceria económica para continuar a existir uma "cooperação incomparável" na área da segurança e uma colaboração "inigualável" em questões transversais, como dados, ciência e inovação.

"E para reforçar essa cooperação, precisaremos de um novo modelo de trabalho em conjunto, que permita que o relacionamento funcione sem problemas no dia-a-dia e que responda e se adapte a novas ameaças e mudanças globais, ao mesmo tempo que retomamos o controlo das nossas leis", argumenta.

Raab está à frente do ministério para a Saída da UE há apenas três dias, em substituição de David Davis, que se demitiu esta segunda-feira por discordar com este plano.

A proposta, discutida e aprovada na semana passada pelo Governo britânico, foi recebida com críticas por deputados que preferem uma saída da UE sem acordo ou um acordo que não ofereça concessões.

Além de David Davis, também se demitiu o ministro dos Negócios Estrangeiros Boris Johnson, que se queixou que Londres acabará por ter de aceitar cumprir regras feitas em Bruxelas e que vão limitar as negociações de acordos comerciais com países terceiros.

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