Espanha

Manifestações multitudinárias na "Diada" catalã

Manifestações multitudinárias na "Diada" catalã

Barcelona, Tarragona, Salt, Lleida e Berga foram as cinco cidades catalãs que este domingo acolherem multitudinárias manifestações independentistas convocadas pela Assembleia Nacional Catalã.

Milhares de pessoas participaram na celebração da tradicional "Diada", o dia nacional da Catalunha, que nos últimos anos se transformou em símbolo do processo de luta pela independência da região.

"A Catalunha voltou a fazer história", afirmou em Salt Carles Puigdemont, o primeiro o presidente da Generalitat que participa na manifestação naquela qualidade.

"Temos uma grande esperança no futuro do país" sublinhou o representante da coligação Junts pel Sí, que venceu as últimas eleições regionais na Catalunha. Antes da Diada de 2017, Puigdemont espera poder convocar "eleições constituintes", uma vez que quer que, nessa altura, a região já se encontrará em "trânsito entre a pós-autonomia e a pré-independência".

O anúncio foi feito no Palau da Generalitat, perante correspondentes internacionais a quem indicou também que estuda convocar um novo referendo sobre a independência da Catalunha, apesar da oposição do governo central espanhol.

"Se for possível utilizar o referendo como mecanismo eficaz para que as pessoas decidam, não o descarto", afirmou o responsável, que no próximo dia 28 de setembro se irá submeter a uma moção de confiança no Parlamento catalão. Um desafio que Puigdemont deverá superar, uma vez que tem garantido o apoio das duas formações independentistas da câmara regional: o Junts pel Sí e a Candidatura de Unidade Popular (CUP).

Sobre o bloqueio político que se prolonga em Espanha, o dirigente catalão indicou que "um Governo sem o PP será sempre melhor". Ao PSOE avisou que quem pretende apresentar uma proposta de governo alternativa "não poderá esquecer a Catalunha".

Também foi a primeira vez que uma presidente do parlamento catalão participou no protesto independentista. Em Tarragona, Carme Forcadell afirmou que pretende "defender as instituições catalãs e a liberdade de expressão". A responsável arrisca ser suspensa do cargo por ter dado seguimento à aprovação da lei para lançar as bases para a constituição de um sistema de Finanças próprio na Catalunha. Trata-se de uma das três leis que deverão marcar a ruptura com Espanha.

Defensora do direito a votar pela autodeterminação, a presidente da Câmara de Barcelona, Ada Colau (líder da coligação Em Comum Podemos), também participou na "Diada", mas evitou a fotografia junto dos líderes independentistas.