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"Massacre" na Líbia às mãos de mercenários

"Massacre" na Líbia às mãos de mercenários

"Snipers" contratados a peso de ouro estarão na origem de "um massacre" que já terá causado mais de 100 mortos, na Líbia, nos protestos que estão na rua pelo fim dos 40 anos do regime de Kadhafi. Veja o vídeo

Uma testemunha ocular, citada pela Agência Reuters, diz que "snipers" acantonados numa instalação militar dispararam sobre os manifestantes que saíram às ruas de Benghazi, a segunda maior cidade da Líbia.

"Morreram dezenas, não 15, dezenas. Estamos no meio de uma massacre", disse à Reuters um residente em Benghazi, que não quis identificar-se, por razões de segurança. O homem disse que ajudou a levar pessoas ao hospital, neste sábado, marcado pela violência.

Em declarações à cadeia de televisão Al-Jazeera, o escritor líbio Guma El-Gamary diz que o regime de Kadhafi contratou mercenários africanos para reprimir as manifestações. "Centenas de mercenários africanos, senão milhares, mesmo, estão a ser usados pelo Coronel Kadhafi", disse.

"Estão a ser armados e usados para aterrorizar e até matar os manifestantes", disse Guma El-Gamary. "Alguns dizem que lhe foram prometidos até 30 mil dólares a cada um", disse.

O presidente de "Lybia Watch", uma ONG Líbia, Mohamed Abdulmalek, disse, também à Al-Jazeera, que "é 100% verdade" a notícia da contratação de mercenários. "O Governo negociou com alguns estados africanos para trazer mercenários para a Líbia", argumentou.

As autoridades líbias não autorizam a entrada de jornalistas no país e a Internet foi cortada. Não é possível saber quantas pessoas já morreram nos protestos, mas segundo a Human Rights Watch, são já 84 as vítimas mortais das manifestações, reprimidas com grande violência.

Do outro lado da barricada, as autoridades líbias anunciaram a detenção de dezenas de cidadãos árabes pertencentes a uma "rede" cuja missão é a de desestabilizar o país, noticiou a agência de notícias oficial da Líbia, Jana.

De acordo com a Jana, que cita fontes "seguras", as dezenas de pessoas detidas "em algumas cidades líbias" pertenciam a uma "rede estrangeira e foram treinadas para denegrir a estabilidade da Líbia, a segurança dos seus cidadãos e a sua unidade nacional".

Fontes próximas da investigação, citadas pela agência noticiosa, referem que "os órgãos de segurança líbios apuraram que os detidos são de nacionalidades tunisina, egípcia, sudanesa, palestiniana e síria", bem como "turca".