EUA

Matou líder da máfia movido por teoria da conspiração e em defesa de Trump

Matou líder da máfia movido por teoria da conspiração e em defesa de Trump

Um homem, acusado de ter assassinado um dos principais rostos da máfia de Nova Iorque, terá agido convencido de que estava a ajudar o presidente Donald Trump. Anthony Comello é entusiasta de teorias da conspiração e terá sido um desses rumores que o levou a abater a tiro Francesco Cali.

O crime remonta ao dia 13 de março. Segundo o jornal "The New York Times", Anthony, de 24 anos, um rapaz relativamente calmo que vivia com os pais, chegou a casa de Francesco Cali, em Todt Hill. Convenceu-o a sair de casa e disparou sobre ele, deixando-o a morrer na rua. Anthony, sem qualquer historial relacionado com o crime, foi detido três dias depois e acusado de homicídio.

Na sexta-feira, Robert Gottleib, advogado de Anthony, explicou que o seu cliente agiu convencido que Francesco, conhecido por ser um dos principais rostos da família Gambino, uma associação criminosa que atua em Nova Iorque, fazia parte de um esquema que secretamente controla os EUA: o Estado Profundo.

A família Gambino, uma das cinco que compõem a máfia siciliana de Nova Iorque, chegou a ser considerada a maior organização criminosa dos Estados Unidos dedicada a todos os tipos de atividades ilícitas até à sua queda nos anos 90.

Nos documentos entregues ao tribunal, o advogado de defesa alega que o Francesco estava tão iludido pelas teorias da conspiração que encontrou na Internet, que pretendia deter Francesco para o entregar às autoridades. "Comello tinha a certeza de que gozava de proteção de Donald Trump e que tinha o seu apoio total", descreveu ao tribunal o advogado.

Estes novos dados são parte do material que a defesa pretende entregar à justiça norte-americana para que Anthony Comello não seja condenado, alegando problemas mentais.

A teoria da conspiração e as várias tentativas de detenção

No dia do incidente fatal, Anthony Comello levou algemas para o local de crime de forma a conseguir deter Francesco. Quando o responsável pelo grupo mafioso rejeitou a deteção e se aproximou do jovem, este disparou 10 vezes e fugiu do local.

Numa das primeiras vezes que foi presente a tribunal, Anthony mostrou um texto que tinha escrito na palma da mão, onde se evidenciava a letra "Q", associada a QAnon, uma teoria da conspiração, muito popular nas redes sociais, que sugere que um Estado Profundo está a tentar minar a presidência de Donald Trump.

"O apoio ao QAnon foi além da mera participação num movimento político radical", disse o advogado. "Evoluiu para uma obsessão delirante", acrescentou.

Esta não foi a primeira vez que Anthony foi apanhado no meio desta rede de teorias da conspiração. Segundo a "The New Yorker", meses antes de ter assassinado Francesco, tentou a detenção do mayor de Nova Iorque, Bill de Blasio. Chegou mesmo a aparecer à porta do democrata, apelando às autoridades para que o homem fosse detido. Por trás deste pedido estaria novamente a ideia de que Bill de Blasio integraria o movimento contra o presidente norte-americano.

Numa outra situação, pediu ajuda às autoridades para deter duas democratas, Maxine Waters e Adam Schiff, que ele acreditava que pertenciam ao movimento conspirativo. O pedido não foi tido em conta pelas autoridades.