Brexit

May favorável a uma extensão flexível, condicionada à aprovação do Acordo

May favorável a uma extensão flexível, condicionada à aprovação do Acordo

A primeira-ministra britânica, Theresa May, mostrou-se esta quarta-feira favorável a uma extensão flexível do 'Brexit', condicionada à aprovação do Acordo de Saída, defendendo que o importante para o Reino Unido é sair de forma "suave" da União Europeia.

"Estou aqui para debater com os outros líderes europeus o pedido que fiz para uma extensão curta do Artigo 50.º e sei que muita gente está frustrada por esta cimeira estar a acontecer, porque o Reino Unido já devia ter deixado a União Europeia. Lamento profundamente que o parlamento não tenha conseguido aprovar o Acordo que nos teria permitido sair de forma ordenada", declarou à chegada do Conselho Europeu extraordinário, dedicado ao 'Brexit'.

Ignorando reiteradamente as perguntas dos jornalistas britânicos sobre uma nova rejeição da data por si proposta - 30 de junho - por parte dos chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE), Theresa May lembrou que o propósito da cimeira de hoje é que o Reino Unido consiga "uma curta extensão" que permita a Londres conseguir sair de forma "ordenada e suave" do bloco comunitário.

"Eu pedi uma extensão até 30 de junho, mas o importante é que qualquer extensão nos permita sair quando conseguirmos ratificar o Acordo de Saída, preferencialmente em 22 de maio", assumiu.

A líder do Governo britânico escusou-se assim a especular sobre a eventual recusa dos 27 em conceder a extensão que Londres solicitou, contrapondo com uma extensão longa que poderá ir até ao fim do ano ou durar até um ano, como propõe o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

"Tenho sido clara que a extensão que pedimos é até 30 de junho. Tenho trabalhado para assegurar que podemos sair da UE. Já podíamos ter saído da União Europeia, mas o parlamento não aprovou o Acordo de Saída. Por isso, precisamos desse tempo extra que permita ao parlamento aprovar o Acordo, é do interesse de todos. O que importa é que sejamos capazes de deixar a UE no momento que ratificarmos o Acordo de Saída", repetiu.

May lembrou ainda que tem estado a trabalhar, conjuntamente com o seu Governo, para encontrar uma solução que desbloqueie o impasse do 'Brexit' na Câmara dos Comuns, nomeadamente ao dialogar com o líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn, numas conversações que definiu como "sérias e construtivas".

Os líderes dos 27 vão analisar hoje em Bruxelas o segundo pedido de adiamento do 'Brexit' até 30 de junho, numa discussão em que o compromisso do Reino Unido de organizar eleições europeias assumirá particular relevância.

A data, rejeitada pelos chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE) em 21 de março, volta a estar em cima da mesa, depois de a primeira-ministra britânica, Theresa May, ter concordado com a realização de eleições europeias naquele país, embora com a pretensão de poder aprovar a lei para o 'Brexit' a tempo de cancelar o escrutínio.

No entanto, na carta-convite dirigida aos líderes da UE, Donald Tusk defendeu que, "pela experiência até ao momento, e atendendo às divisões profundas na Câmara dos Comuns", há "poucas razões para acreditar que o processo pode ser concluído até ao final de junho", razão pela qual se opõe ao prazo de 30 de junho e defende em alternativa uma extensão longa, no máximo de um ano.

A solução permitiria ao Reino Unido sair da UE antes do final do período de extensão (12 meses) se a Câmara dos Comuns ratificasse o Acordo de Saída.