Argentina

Menina de 11 anos violada por namorado da avó obrigada a fazer cesariana

Menina de 11 anos violada por namorado da avó obrigada a fazer cesariana

Uma menina de 11 anos foi obrigada a dar à luz mesmo depois de ter pedido para abortar. A criança engravidou por ter sido violada pelo namorado da avó. O caso sucedeu na Argentina.

O pedido criança foi rejeitado oito vezes pelas autoridades de Tucumán. Mas, na noite da passada terça-feira, por motivos clínicos, foi necessário fazer uma cesariana de urgência, às 24 semanas de gravidez, num hospital público. O bebé nasceu apenas com 600 gramas e as possibilidades de sobrevivência são extremamente reduzidas.

Segundo explica o jornal espanhol "El País", a menina chegou ao hospital Eva Perón, em Tucumán, no passado dia 29 de janeiro, queixando-se de fortes dores de estômago. Depois de analisada, os médicos descobriram que a criança estava grávida de 19 semanas. Questionada pelas autoridades, acabou por revelar que tinha sido violada pelo namorado da avó.

Neste sentido, foi solicitada a aplicação de um artigo legal que, desde 1921, permite a interrupção legal da gravidez em casos de menores violadas e em que a vida da mãe corre perigo, que era o caso.

O aborto poderia ter sido feito em menos de 48 horas, mas diferentes grupos feministas daquela região revelam que as autoridades locais atrasaram a decisão para que a cesariana fosse a única solução possível.

Numa conferência de imprensa, o secretário da Saúde de Tucumán, Gustavo Vigliocco, explicou que acompanhou de perto a mãe e a criança durante todo o processo. "A menina queria continuar com a gravidez", garantiu.

No entanto, o jornal "Página 12" revelou o pedido legal que a mãe e a criança fizeram para que a gravidez fosse interrompida e que contraria a declaração de Gustavo Vigliocco. "Quero que me tirem isto que o velho pôs dentro de mim", terá dito a menor a um psicólogo.

A vítima foi violada pelo companheiro da avó, que estava responsável pela guarda da menina. A mãe perdeu o direito de ficar com a criança depois de o próprio companheiro ter violado duas das suas filhas.

O relato devastador da médica que acompanhou tudo

O caso rapidamente chegou às redes sociais e ganhou especial relevo depois do relato de Cecilia Ousset, a médica que levou a cabo a cesariana, depois de todos os outros médicos se terem declarado objetores de consciência. O testemunho foi partilhado no Twitter por uma outra utilizadora.

De acordo com a médica, o governo de Tucumán emitiu um contraditório comunicado dando conta de que queria salvar "as duas vidas". A médica foi convocada pala fazer a cesariana com o seu marido, que conhecia a criança.

Quando chegaram ao quarto, a menina estava a brincar com bonecos, longe de saber o que iria acontecer. Segundo a médica, a criança nunca permitiu que lhe mexessem na roupa interior. "É uma característica típica das crianças abusadas", explica.

Trata-se de o segundo caso do género a acontecer na Argentina em menos de um ano. Em janeiro, o governo local de Salta obrigou uma menina de 12 anos, que tinha sido violada por um vizinho de 60 anos, a abortar. A bebé acabou por morrer.

A Amnistia Internacional também já reagiu ao caso e, através do Twitter, repudiou a decisão das autoridades locais de Tucumán.

"O atraso injustificado no acesso ao aborto violou os direitos da menina, a sua autonomia, privacidade e intimidade, tornando-a vitima novamente", pode ler-se no Twitter.