Médio Oriente

Morrem mais três palestinianos em protestos em Gaza

Morrem mais três palestinianos em protestos em Gaza

Pelo menos três palestinianos, entre eles um menor, morreram e 618 pessoas ficaram feridas durante os protestos ocorridos, esta sexta-feira, na fronteira entre Gaza e Israel, nos quais participaram vários milhares de pessoas.

A vítima menor, de 15 anos, foi identificada como Hayzam al-Jamal, atingida a tiro num dos locais onde decorrem os protestos, junto à linha de fronteira, segundo um porta-voz do Ministério da Saúde palestiniano, Ashraf al-Qedra.

Dos 618 feridos, cinco estão em estado crítico, 117 foram feridos por munições reais, 21 por metralhadora, além de 56 atingidos pelo impacto das latas de gás lacrimogéneo e de 60 assistidos nos hospitais por inalação de gases.

O porta-voz do ministério, Ashraf al-Qedra, disse que Mohamed al-Baba, repórter fotográfico da agência France Presse, foi atingido a tiro na perna direita, enquanto um operador de câmara da televisão Al Aqsa (próxima do movimento radical islâmico Hamas, que controla Gaza) sofreu um corte com uma lata de gás lacrimogéneo.

Num comunicado, Qedra disse que os soldados israelitas estavam a disparar "bombas de gás" contra as ambulâncias que tentavam ajudar os feridos no leste da cidade de Khan Yunes, no sul do enclave palestiniano, tendo partido um vidro de um dos veículos de assistência.

Milhares de palestinianos - 10 mil segundo os organizadores e quatro mil de acordo com o exército israelita - deslocaram-se hoje para cinco locais ao longo da barreira de segurança com Israel para protestar pela 11.ª sexta-feira consecutiva.

A mobilização denomina-se Marcha do Milhão a Jerusalém e coincide com a última sexta-feira do Ramadão e com o Dia de Jerusalém, assinalando ainda o início da Guerra dos Seis Dias em 1967.

O movimento de contestação designado "marcha de retorno", que reivindica o regresso dos refugiados palestinianos às terras de onde foram expulsos ou fugiram após a criação do Estado de Israel, em 1948, assim como o fim do bloqueio israelita à faixa de Gaza iniciou-se a 30 de março.

Desde essa altura foram mortos pelos israelitas pelo menos 119 palestinianos.

Fathi Hammad, dirigente do Hamas, disse hoje que os palestinianos "continuarão com as 'marchas do retorno' até que o bloqueio seja levantado e se consiga o direito a regressar".