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Morreu Albertina Sisulu, ícone da luta contra o "apartheid"

Morreu Albertina Sisulu, ícone da luta contra o "apartheid"

Albertina Sisulu, um dos maiores ícones da luta pela libertação do povo sul-africano, morreu, quinta-feira à noite, em Joanesburgo, aos 92 anos.

Viúva do ex-secretário-geral do Congresso Nacional Africano (ANC), Walter Sisulu, e uma das mais respeitadas e amadas figuras do universo político da África do Sul, Albertina Sisulu, que era conhecida por "Mama Sisulu", dedicou grande parte da vida à luta contra o antigo regime do 'apartheid'.

O seu envolvimento na resistência contra o antigo regime começou assim que contraiu matrimónio com o então advogado Walter Sisulu, em 1944. Albertina viria a tirar um curso de enfermagem no "Hospital dos Não-Brancos" em Joanesburgo, e durante muitas décadas, em paralelo com a sua actividade política, dedicou grande parte do seu tempo a prestar assistência aos mais desfavorecidos dos então bairros negros em redor das cidades sul-africanas.

Viveu durante mais de 10 anos em prisão domiciliária e passou vários períodos da sua vida de resistente nas cadeias sul-africanas. Enviuvou em Maio de 2003, quando o seu companheiro de 59 anos, um outro símbolo da resistência de quem teve cinco filhos e filhas, morreu nos seus braços com a idade de 90 anos.

Albertina Sisulu sempre demonstrou uma enorme dedicação à causa da educação, tendo afirmado em várias ocasiões que, "quer na luta, quer na paz, a educação é essencial para a liberdade dos povos".

Recentemente afirmou: "Devemos educar as nossas mulheres porque elas são amiúde as que mais sofrem, e as suas crianças com elas. Se todas soubéssemos o que é realmente importante através da educação apenas teríamos de gritar uma vez".

Em 1955 foi uma das líderes da marcha das mulheres na capital, Pretória, de protesto contra a infame "Lei dos Passes" (que obrigava os negros a serem portadores de passes para terem acesso às áreas designadas por brancas), sendo presa por três semanas e representada por Nelson Mandela, então advogado na mesma firma do marido, que conseguiu que fosse absolvida de todas as acusações.

Viria a ser co-presidente da UDF (Frente Democrática Unida), que, nos anos 80, era a frente interna de quase todas as organizações de resistência ao 'apartheid' em representação do ANC, que fora ilegalizado e forçado a operar a partir do exílio.

Apesar da avançada idade, Albertina Sisulu gozava de relativa boa saúde, tendo mesmo visitado o ex-presidente Nelson Mandela quando este foi hospitalizado em Fevereiro deste ano com uma infecção respiratória.

Segundo duas netas com quem vivia no bairro de Linden, em Joanesburgo, sentiu-se mal, inesperadamente, quando o seu jantar era preparado na noite de quinta-feira, tendo morrido antes da chegada dos paramédicos.

Muitos membros do governo, do ANC, de organizações sindicais, cívicas e religiosas, dirigiram-se de imediato à residência da família Sisulu logo após ter sido noticiada a morte de Albertina Sisulu, sendo muitas as mensagens de condolências a serem enviadas à família ao longo da noite.