Luanda

Morto pela população após roubar e disparar sobre vendedora de rua em Angola

Morto pela população após roubar e disparar sobre vendedora de rua em Angola

Um assaltante foi morto e outro ficou ferido pela população, no sábado, em Luanda, depois de terem roubado uma "kinguila" (vendedora de divisas no mercado paralelo), sobre quem dispararam um tiro, indicou este domingo fonte da Polícia Nacional (PN) angolana.

Segundo disse o porta-voz da PN, Mateus Rodrigues, à agência Lusa, o incidente ocorreu ao fim da manhã de sábado, na estrada do Catete, junto ao bairro do Palanca, em Luanda, e está a ser difundido nas redes sociais em Angola com "imagens reais" feitas com um telemóvel, que mostram a "kinguila" a ser atingida a tiro por um dos dois assaltantes.

As imagens "são reais", confirmou Mateus Rodrigues à Lusa.

Noutro vídeo, filmado através de outro telemóvel, é visível um grupo de pessoas a perseguir os assaltantes, já na presença da polícia.

Num terceiro pequeno vídeo é possível ver um dos assaltantes no chão a ser espancado pela população que, a certa altura, pega numa motorizada e atira-a repetidamente para cima do meliante, que viria a morrer, com a polícia a tentar, em vão, repor a ordem.

"Registou-se um crime de tentativa de roubo qualificado de valores monetários, este sábado, por volta das 11.30 horas, na via pública, por detrás do Supermercado Shoprite, concorrido com disparo de arma de fogo, do tipo AKM, do qual foi vítima a cidadã Maria Manuel Benedito, solteira, de 55 anos de idade, "kinguila", ação praticada por dois suspeitos, a bordo de uma motorizada de marca Lingkien, de cor preta, sem matrícula", lê-se num comunicado publicado no Facebook do Ministério do Interior angolano.

Segundo o documento, o incidente ocorreu quando a vítima fazia troca de moeda estrangeira e foi surpreendida pelos assaltantes, "tendo um dos marginais" efetuado um disparo com uma arma de fogo, atingindo a vítima no abdómen, que sobreviveu.

"Na tentativa de fuga, foram abordados pela população que, em massa, espancou um deles, que não resistiu aos ferimentos", indicou o Ministério, acrescentando que o outro assaltante, de 24 anos, "foi resgatado das mãos da população com ferimentos" e detido.

Angola há muito que tem em curso uma campanha de sensibilização para alertar a população a evitar fazer justiça pelas próprias mãos, cujo lema é "Caro Cidadão: a Justiça por mãos próprias é crime e não resolve o seu problema, podes terminar na cadeia".

Em 25 de fevereiro último, um relatório da Polícia Nacional angolana revelou que, em 2018, a criminalidade em Angola registou um significativo aumento comparativamente a 2017, com um total de 72.174 crimes, dos quais 5199 realizados com recurso a arma de fogo.

Segundo as estatísticas, em 2018 foram registados mais 26.301 crimes comuns comparativamente a 2017, mas uma redução relativamente aos crimes económicos, 1825 (menos 545).

As províncias de Luanda, Benguela, Bié, Huíla, Huambo e Cuando Cubango lideram, entre as 18 regiões do país, em número de crimes, representando 62% do total geral.

Em 2018, a polícia deteve 49.453 presumíveis autores de crimes, representando um aumento de 13.599 pessoas comparativamente a 2017.

O aumento da criminalidade geral incidiu essencialmente sobre os furtos, com 17.937 casos (mais 5981 comparativamente a 2017), as ofensas corporais, com 11.762 (mais 3301 do que no ano anterior), os homicídios voluntários, com 1473 casos (mais 219), e a posse, uso e tráfico de estupefacientes, com 2151 (mais 838).