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Motorista da Uber era criminoso da guerra civil na Somália

Motorista da Uber era criminoso da guerra civil na Somália

Um júri norte-americano descobriu que um ex-motorista da Uber que vive na Virgínia, EUA, cometeu atos de tortura durante a guerra civil da Somália, no final dos anos 80.

Farhan Tani Warfaa, cidadão somali, testemunhou na semana passada, em Washington, afirmando que o ex-coronel da Somália Yusuf Abdi Ali, motorista da Uber, o alvejou e torturou.

Segundo a BBC, que teve acesso a documento judiciais, Abdi Ali era um comandante do exército nacional e partidário do ditador Mohamed Siad Barre.

Ali tornou-se motorista da Uber na Virgínia, alcançando uma boa classificação de 4,89 (de 0 a 5 estrelas).

Na terça-feira, um júri de um tribunal federal em Alexandria, na Virgínia, descobriu que Ali era responsável pela tortura de Warfaa há mais de três décadas, concedendo a Warfaa uma indemnização de 500 mil dólares (cerca de 448 mil euros).

Warfaa, que abriu processo contra Ali em 2004, disse à BBC que estava "muito feliz" com o veredicto. "Estou muito, muito satisfeito com o resultado". Warfaa contou que foi sequestrado em casa no norte da Somália por um grupo de soldados de Ali em 1987.

Durante meses, Warfaa disse que foi interrogado, torturado, espancado e baleado por ordem de Ali, que tinha o posto de comandante. Deixado para morrer, diz que só conseguiu sobreviver subornando os soldados para poupá-lo.

Ali foi identificado pela primeira vez num documentário de 1992 da Canadian Broadcasting Corporation, que detalhava as alegações de que havia torturado, matado e mutilado centenas de pessoas enquanto trabalhava para o regime de Barre.

Nessa altura, Ali vivia em Toronto, a trabalhar como segurança. No documentário, várias testemunhas no norte da Somália descreveram assassinatos brutais ordenados por Ali, conhecido como coronel Tukeh, que significa "o corvo". Pouco depois da transmissão do documentário, Ali foi deportado do Canadá por "graves violações dos direitos humanos", segundo documentos judiciais.

Os EUA também iniciaram um processo de deportação contra Ali, mas ele regressou ao país em 1996. Não está claro como é que ele conseguiu entrar novamente nos EUA.

Em maio, repórteres da CNN disfarçados foram fazer um passeio de Uber com Ali. Ele disse à CNN que trabalhava para a Uber e Lyft a tempo inteiro, preferindo turnos de fim de semana porque "é aí que está o dinheiro".

Questionado sobre se o processo de candidatura para os motoristas era difícil, Ali respondeu que era simples: "Eles só querem a verificação de antecedentes".

Ali foi motorista da Uber durante cerca de 18 meses, depois de passar por um processo de triagem para a empresa de aluguer de carros.

A verificação de antecedentes incluiu uma revisão do histórico criminal de Ali e uma análise das listas de observação do governo, do FBI e da Interpol. Agora, Ali foi "permanentemente removido" da aplicação, disse um porta-voz da Uber à BBC.