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Mubarak demite governo egípcio mas não abandona poder

Mubarak demite governo egípcio mas não abandona poder

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, principal alvo dos violentos protestos que se espalharam por todo o país, fez, na noite de sexta-feira, a primeira declaração pública desde o início do movimento anti-governamental. Mubarak afirmou ter demitido o governo egípcio, garantindo que irá nomear um novo executivo. Não deu, no entanto, nenhum sinal de que estaria a ponderar abandonar o poder.

Numa declaração transmitida pela televisão, o presidente egípcio disse também que está "ao lado do povo" e comprometeu-se a dar os passos necessários para garantir os direitos e as liberdades dos egípcios e desenvolver oportunidades de emprego.

Mubarack defendeu também o papel das forças de segurança na repressão dos protestos.

Barack Obama reagiu entretanto às declarações de Mubarak, exigindo o fim da repressão no Egipto.

Pelo menos 29 pessoas morreram ontem nas cidades egípcias de Cairo e Suez, no seguimento da repressão dos protestos, segundo fontes médicas, informa a agência Efe, citando televisões árabes

Recolher obrigatório alargado a todo o país

O presidente egípcio decidiu alargar o recolher obrigatório a todo o país, poucas horas depois de ter decretado a medida só para algumas cidades. O principal opositor do regime, o Nobel da Paz Mohammed El Baradei, foi colocado em prisão domiciliária.

Hosni Mubarak, no poder desde 1981, está a tentar parar a revolta popular que se desenrola para as ruas das principais cidades do Egipto, impulsionada pela pobreza generalizada, a falta de emprego e o enfado com a corrupção governamental.

Ao quarto dia de protestos violentos, as autoridades egípcias decretaram primeiro o recolher obrigatório nas cidades do Cairo, Alexandria e Suez. Pouco depois, alargaram a medida a todo o país.

De acordo com o canal público egípcio, que cita um decreto do presidente Hosni Mubarak, o recolher obrigatório terá às 18 horas locais (16 em Lisboa), terminando às 7 (5 em Lisboa) de sábado.

No mesmo decreto, o chefe de Estado egípcio pede ao Exército para apoiar a polícia e reforçar a segurança no país, nomeadamente impor o cumprimento do recolher obrigatório.

El Baradei detido

O Nobel da Paz e principal opositor ao regime actual está retido na sua residência nos subúrbios do Cairo, informaram fontes das forças de segurança citadas pela Associated Press

El Baradei regressou ao Egipto quinta-feira à noite e declarou-se disposto a liderar os protestos por uma mudança de regime no país.

El Baradei participou numa de várias manifestações realizadas, hoje, no Cairo após a oração do meio-dia, mas a polícia anti-motim dispersou o protesto recorrendo a balas de borracha, granadas de gás lacrimogéneo e canhões de água.

O opositor acabou por ficar retido durante algum tempo dentro da mesquita de onde saíra, cercada pela polícia.