Turquia

Mulher decapitada como presente de casamento

Mulher decapitada como presente de casamento

O líder do Estado Islâmico condenou uma mulher à morte por decapitação a pedido de uma "juíza" da polícia religiosa jiadista. A decapitação foi um presente de casamento.

Segundo o jornal britânico "Daily Mail", que entrevistou uma desertora da organização do grupo terrorista, a mulher pediu a morte de um "infiel" para o seu segundo casamento, depois de o primeiro marido ter morrido em combate. O líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, determinou então a decapitação de uma mulher acusada de espionagem, fazendo a vontade à "juíza".

Leena fazia parte da polícia religiosa jiadista e conseguiu escapar. Sem revelar a sua verdadeira identidade, contou ao diário vários casos de puro terror. São histórias de crianças usadas como informadoras de guerra, de mulheres condenadas a dezenas de "chicotadas" públicas por engano, de prisioneiras transformadas em escravas sexuais, de amputações por roubo. São, sobretudo, histórias sobre a morte de gente inocente.

O que inicialmente lhe pareceu fascinante, pela disciplina e rigor de alguns hábitos religiosos, transformou-se num pesadelo. "Estou horrorizada com o que vi, a brutalidade, a corrupção. Fugi porque vi muitas coisas terríveis".

Leena, que trabalhou num "tribunal" que apenas julgava mulheres, relatou o caso de uma jovem mãe de dois filhos que foi decapitada por ter-se queixado da vida sob o domínio do Estado Islâmico à irmã através de uma aplicação de telemóvel. O tribunal deu como provado o crime de espionagem, quando, na verdade, se tratou de uma queixa, em privado, de uma vida de violência.

Segundo o seu testemunho, os estrangeiros que se alistam para combater pela causa jiadista são vistos como heróis, quando, na verdade, "procuram dinheiro, ouro e escravos". Muitas famílias oferecem as filhas para serem escravas sexuais e as viúvas para serem noivas.

Agora, Leena teme que o Estado Islâmico a descubra e a mate. Conseguiu sair da Síria. Está na Turquia. Muda de casa a cada quatro dias. E sonha com uma vida na Europa.