EUA

Mulher que nasceu sem útero engravidou após transplante

Mulher que nasceu sem útero engravidou após transplante

Uma enfermeira doou o seu útero a uma mulher que nasceu sem este órgão reprodutor. Um ano após o delicado transplante, a mulher conseguiu engravidar e já deu à luz.

O parto foi na sexta-feira, no centro médico universitário de Baylor, no Texas.

Foi a primeira vez nos Estados Unidos que um transplante de útero foi bem sucedido ao ponto de permitir uma gravidez.

A mãe, cujo nome não foi revelado, beneficiou da doação em vida de Taylor Siler, uma enfermeira de 36 anos, com dois filhos de 4 e 6 anos e com experiências familiares de infertilidade. "Se posso dar essa opção a outras pessoas [engravidar] isso é algo fabuloso", referiu a dadora, citada pela publicação "Insider", justificando a sua decisão depois de conhecer o programa de transplantes de útero de Baylor.

Taylor Siler ainda não se encontrou com a mulher que recebeu o seu útero mas ambas já trocaram cartas.

"Além dos meus filhos, esta é a experiência mais excitante que tive com o nascimento de um bebé", disse Gregory J. McKenna, médico cirurgião do centro médico universitário de Baylor. "Comecei a chorar", confessou.

"Já ajudei a nascer muitos bebés mas este é especial", considerou Robert T. Gunby Jr., responsável pelo parto. "Quando comecei a minha carreira nem tínhamos ecografias. Agora estamos a transplantar úteros e temos um bebé", acrescentou.

O centro médico universitário de Baylor já realizou oito de um total de dez transplantes de útero no âmbito de um programa clínico experimental. O hospital confirmou à "Time" que outra mulher que recebeu um útero transplantado conseguiu engravidar. Há 70 candidatas interessadas em fazer a doação.

"Subestimei totalmente o que este tipo de transplante representa para estas mulheres. O que aprendi emocionalmente, não consigo descrevê-lo em palavras", afirmou Giuliano Testa, responsável pelo programa de transplantes.

Este foi o primeiro transplante de útero que permitiu uma gravidez fora da Suécia, onde o primeiro caso foi registado em 2014, na Universidade de Gotemburgo. Neste caso, a mãe de 36 anos recebeu o útero de uma amiga de 61 anos que já tinha entrado na menopausa.