África do Sul

Negros estão hoje pior do que nos tempos do "apartheid"

Negros estão hoje pior do que nos tempos do "apartheid"

O ex-líder da Juventude do partido no poder na África do Sul, Julius Malema, disse que os negros do seu país estão hoje em pior situação do que nos tempos do "apartheid".

Malema, que foi expulso do Congresso Nacional Africano (ANC), discursou perante mais de um milhar de mineiros desempregados há quatro anos na sequência da falência da mina de ouro de Aurora, que pertencia a um sobrinho do presidente da República, Jacob Zuma, e um neto do ex-presidente Nelson Mandela, em Grootvley, Springs, a leste de Joanesburgo, e não poupou críticas à atual liderança do ANC.

"Estamos em pior situação do que estávamos nos tempos do apartheid. Somos mortos pelo nosso próprio povo. Somos oprimidos pelo nosso próprio Governo", referiu Malema numa clara alusão aos acontecimentos do dia 16 em Marikana, quando 34 mineiros em greve foram mortos por uma força de intervenção policial.

O ex-dirigente do partido no poder, que parece ter feito dos conflitos laborais no setor mineiro e mais recentes confrontos armados entre a polícia e mineiros em Marikana o seu novo campo de batalha contra o presidente Jacob Zuma, que ameaça afastar da liderança no congresso do ANC em dezembro próximo, acusou em Aurora dirigentes políticos de "conluio na repressão contra os mineiros".

"Cada mina tem um político lá dentro. Elas (as empresas mineiras) dão dinheiro aos políticos todos os meses e chama-lhe ações, mas na verdade trata-se de um pagamento dos brancos que os protege dos trabalhadores", acusou Malema.

Perante uma vasta audiência, que incluiu mineiros desempregados da mina da falida Aurora Empowerment Systems e de uma mina próxima que está em laboração, Malema salientou que "o facto de o processo de falência estar em curso há quatro anos demonstra que não existe liderança no país".

O escândalo da falência da Aurora e dos favores políticos envolvidos no processo têm sido investigados em inúmeras reportagens da imprensa e televisão, que acentuam o contraste da miséria em que foram mergulhadas as famílias dos desempregados e a vida faustosa dos ex-proprietários, na sua maioria com laços familiares e políticos com o partido no poder e os seus líderes.

"Se o país tivesse liderança não demoraria quatro anos a resolver (o processo). Quatro anos demonstram que não existe liderança. Quando os políticos aqui chegam para os representar (aos mineiros), as administrações dão-lhes dinheiro e eles esquecem-se de vós", concluiu Julius Malema, insistindo que uma revolução nas minas está em curso sob a sua liderança.