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Nicolás Maduro assume o poder

Nicolás Maduro assume o poder

Nicolás Maduro prestou, sexta-feira, juramento como presidente da Venezuela, numa cerimónia extraordinária do Parlamento. Antes, realizaram-se as exéquias a Chávez na presença de vários líderes mundiais.

Mais de dois milhões de pessoas e 32 chefes de Estado e de Governo assistiram ontem às cerimónias fúnebres oficiais de Hugo Chávez, o presidente venezuelano que morreu na terça-feira, aos 58 anos, vítima de cancro.

Na Academia Militar, onde o corpo está em câmara-ardente, realizou-se uma missa de corpo presente, seguida de um discurso de 40 minutos por parte do (então ainda) vice-presidente. Com a voz embargada, Nicolás Maduro disse que "Chávez era tão grande que o seu corpo não foi suficiente e teve de morrer para se expandir pelo universo". Disse ainda que, "em 200 anos, nunca se mentiu tanto sobre um homem".

Maduro aproveitou para anunciar que Chávez deixou um testamento político, escrito em junho do ano passado, com cinco pontos.

Após as cerimónias fúnebres de Estado, o corpo de Hugo Chávez foi transladado para o Quartel da Montanha, onde, a 4 de fevereiro de 1992, comandou o golpe de Estado contra o então presidente Carlos Andrés Pérez. Aí permanecerá por pelo menos mais sete dias para permitir que todos os venezuelanos se possam despedir. Só depois será embalsamado.

Oposição faltou

Logo pela manhã, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) autorizou que Nicolás Maduro assumisse a chefia de Estado e fosse, simultaneamente, candidato às próximas eleições presidenciais.

A cerimónia de investidura realizou-se pelas 19 horas (23.30 horas em Portugal continental) numa sessão extraordinária da Assembleia Nacional, onde não estiveram presentes os deputados da Mesa da Unidade Democrática (MUD).

Os representantes da Oposição consideram que o juramento de Maduro "constitui uma violação da Constituição". "A sentença do STJ emitida minutos antes do funeral do presidente é uma fraude constitucional", escreveu no Twitter Henrique Capriles, o candidato do MUD às presidenciais.

Portugal esteve representado nas cerimónias fúnebres pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros. Em declarações à agência Lusa, Paulo Portas afirmou que as relações entre os dois países são para continuar. v