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Noiva de Berlusconi quer explicar ao Papa a "tragédia de Silvio"

Noiva de Berlusconi quer explicar ao Papa a "tragédia de Silvio"

A noiva do ex-primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, quer ser recebida pelo Papa para explicar o sofrimento do político, expulso na quarta-feira do Senado depois de ter sido condenado a quatro anos de prisão por fraude fiscal.

"Apelo ao Papa Francisco para me receber e escutar a tragédia de Silvio", afirmou Francesca Pascale, numa entrevista publicada no diário italiano Il Corriere della Sera.

Francesca Pascale também disse que, por sua vontade, já teria escrito uma carta ao Presidente italiano, Giorgio Napolitano, a pedir um indulto para Berlusconi, também conhecido como 'il Cavaliere'.

Pascale, de 28 anos, que passou o dia de quarta-feira na casa do ex-primeiro-ministro em Roma, afirmou ter ficado emocionada ao ver as mensagens de apoio que recebeu Berlusconi, de 77 anos, por parte dos apoiantes do seu partido, Forza Italia. Muitos apoiantes deslocaram-se à residência do político para manifestar o seu apoio, segundo a noiva do ex-primeiro-ministro italiano.

O Senado italiano, a câmara alta do Parlamento italiano, decidiu na quarta-feira retirar o lugar de senador a Silvio Berlusconi, aplicando a chamada "lei Severino".

Esta lei, aprovada pelo anterior Governo liderado por Mario Monti, estabelece a expulsão do Parlamento dos condenados a penas superiores a dois anos de prisão.

"Maldito dia em que essa lei foi aprovada", referiu Pascale, acrescentando que o movimento Povo da Liberdade (PDL), coligação formada em 2009 por Berlusconi, cometeu um erro quando deixou passar a votação do diploma.

Sobre Angelino Alfano, reconhecido como o 'delfim' político de Berlusconi e líder do recém-criado Novo Centro-Direita, Francesca Pascale defendeu que foi o ex-primeiro-ministro que o transformou num político.

Para a noiva de Berlusconi, Alfano é um "traidor" que podia ter sido um líder natural se tivesse esperado.

Apesar dos recentes acontecimentos, Francesca Pascale garantiu, na entrevista ao Il Corriere della Sera, que Berlusconi vai continuar a lutar para concretizar o seu sonho: "trazer a liberdade para a Itália".

No passado dia 1 de agosto, o Tribunal Supremo de Itália confirmou a condenação de Berlusconi a quatro anos de prisão por fraude fiscal no âmbito do "caso Mediaset", três dos quais abrangidos por uma amnistia.

O "caso Mediaset" remonta a 2006, quando esta empresa de Berlusconi foi acusada de inflacionar o preço dos direitos de transmissão de filmes norte-americanos, adquiridos através de sociedades também propriedade do político.

Na segunda-feira, Berlusconi anunciou que ia pedir a revisão deste processo, afirmando que detinha novos documentos sobre o caso.