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Norte-americano que lutou pelos talibãs sai da prisão três anos mais cedo

Norte-americano que lutou pelos talibãs sai da prisão três anos mais cedo

John Walker Lindh, norte-americano capturado em 2001 enquanto lutava pelos talibãs, vai ser libertado da prisão três anos mais cedo do que o previsto na sentença. Alguns políticos dos EUA criticam a decisão, afirmando que o prisioneiro ainda representa um risco à segurança pública.

O "talibã americano", capturado durante a invasão do Afeganistão em 2001, deve deixar a prisão federal de Terre Haute, Indiana, EUA, esta quinta-feira, em liberdade condicional, após cumprir 17 anos de uma sentença de 20 anos por prestar apoio aos talibãs.

Agora com 38 anos, John Walker Lindh é apenas um entre dezenas de prisioneiros que serão libertados nos próximos anos depois de serem capturados no Iraque e no Afeganistão por forças dos EUA e condenados por crimes relacionados ao terrorismo após os ataques de 11 de setembro de 2001.

Segundo o jornal "The Guardian", a decisão provocou a indignação de vários políticos, que questionam a razão de Lindh ser libertado mais cedo e pedem uma avaliação para detetar nova radicalização e reincidência entre ex-jiadistas.

Documentos do governo dos EUA publicados pela revista "Foreign Policy" revelam que Lindh era descrito como uma pessoa com "visões extremistas" em 2016.

"Qual é a atual política, estratégia e processo interinstitucional para garantir que os infratores terroristas/extremistas sejam reintegrados com sucesso na sociedade?", perguntaram os senadores Richard Shelby e Margaret Hassan, numa carta enviada ao FBI.

Lutou pela "jiad" mas não contra a América

Os pais de Lindh, Marilyn Walker e Frank Lindh, não comentaram a decisão sobre a libertação do filho. O advogado, Bill Cummings, também recusou prestar declarações aos jornalistas.

Nascido nos EUA e criado como católico, Lindh acabaria por converter-se ao islamismo quando era adolescente. Na sentença em 2002, disse ter viajado para o Iémen para aprender árabe e depois para o Paquistão para estudar o Islão. Contou ainda que se alistou como soldado dos talibãs para ajudar outros muçulmanos na sua luta ou "jiad" (guerra santa). Afirmou que não tinha intenção de "lutar contra a América" e que nunca entendeu a "jiad" como "anti-americanismo".

Lindh disse em tribunal que condena "o terrorismo a todos os níveis" e que os ataques do líder da al-Qaeda, Osama bin Laden, foram "completamente contra o Islão".

O relatório de janeiro de 2017 do Centro Nacional de Contraterrorismo do governo dos EUA revela que, em maio de 2016, Lindh "continuou a defender a jiad global e a escrever e traduzir textos extremistas violentos".

A NBC informou que Lindh escreveu uma carta para a estação de televisão de Los Angeles KNBC em 2015, afirmando o apoio ao Estado Islâmico e dizendo que o grupo radical estava a cumprir "uma obrigação religiosa de estabelecer um califado por meio da luta armada".