Nazismo

O emocionante encontro de sobreviventes do Holocausto sete décadas depois

O emocionante encontro de sobreviventes do Holocausto sete décadas depois

Alice Gerstel e Simon Gronowski encontraram-se, mais de sete décadas depois, em Los Angeles. Os dois amigos conheceram-se durante o Holocausto e foram separados quando soldados nazis levaram Simon e a família para o campo de concentração de Auschwitz, na Polónia.

Alice e a família esconderam-se em casa de Simon, em Bruxelas, durante duas semanas, antes de o seu pai os ter informado sobre um acordo alcançado com um contrabandista, para os retirar em segurança de Bruxelas.

Os Gronowski, também judeus, decidiram ficar em casa onde se conseguiram esconder durante 18 meses, até que os soldados Nazis os encontraram e colocaram Simon, a irmã e a mãe num comboio para o campo de concentração de Auschwitz, em território polaco ocupado pela Alemanha.

"Eu pensei que toda a família tinha morrido. Não tinha ideia que estava vivo", disse Alice, na quarta-feira, citada pela "Associated Press", quando se encontrou com Simon, no Museu do Holocausto, em Los Angeles. "Não sabias que saltei do comboio?", perguntou Simon, agora com 86 anos.

A mulher vive em Los Angeles e Simon em Bruxelas. Os dois encontraram-se 76 anos depois da brutal separação. "Eu já não o conhecia. Não vejo o pequeno Simon", disse Alice.

O pai de Alice, um vendedor de diamantes casado e com quatro filhas, conseguiu fugir da Europa em 1941. Vendeu os diamantes e viajou pela França ocupada pelos Nazis até à cidade marroquina de Casablanca, então controlada pelos franceses. Daí partiram de barco até Cuba.

Por seu lado, o pai de Simon acreditava que a família conseguiria escapar ao terror Nazi, escondendo-se em Bruxelas. "O meu pai não tinha muita noção do que se passava. Ele não ligava à política. Era um poeta", contou Simon.

Quando os soldados alemães chegaram à sua casa, o pai estava internado, num hospital, e a mãe mentiu aos alemães dizendo que ele tinha morrido. Para além do marido, a mulher é também a grande responsável pela sobrevivência do filho. Já no comboio em direção a Auschwitz, conseguiu que Simon saltasse e escapasse à morte. Depois da guerra, Simon encontrou o pai e mudaram-se para o apartamento onde sempre viveram.

A família de Alice emigrou para os EUA, onde a mulher casou, teve dois filhos, e acabou por se fixar em Los Angeles, na Califórnia. Logo após o final do conflito em solo europeu, os familiares de Alice tentaram encontrar os Gronowski. Simon escreveu ao irmão mais velho de Alice, Zoltan, informando de que a mãe e a irmã tinham morrido na Polónia e que o pai, apesar de ter sobrevivido ao horror Nazi, já tinha falecido.

"Quando o meu pai soube do que aconteceu nos campos de concentração percebeu que a mulher e a filha nunca voltariam. E ele morreu...", contou, de forma emocionada, Simon". "De coração perdido?", questionou Alice. "Sim, de coração perdido", sublinhou Simon.

Apesar da carta enviada por Simon, Zoltan nunca contou a Alice que o amigo estava vivo.

Alice apenas soube que Simon sobrevivera ao terror na Europa depois de uma busca na Internet, que culminou com a descoberta da história de como conseguiu fugir do comboio que seguia para o campo de concentração, no livro "A Criança do 20º Comboio", publicado em 2002.

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