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O fantástico plano para começar uma colónia humana em Marte

O fantástico plano para começar uma colónia humana em Marte

Elon Musk quer estabelecer uma colónia humana em Marte e mostrou como é que a sua empresa pretende concretizar esse fantástico objetivo.

O excêntrico e bilionário Elon Musk, dono do fabricante de carros elétricos Tesla e da SpaceX, que desenvolve foguetões, lança satélites e faz transportes de carga para o espaço, não é homem para coisas poucas e tem um sonho que não é pequeno: começar uma colónia humana em Marte durante as próximas décadas. E, esta terça-feira, explicou o incrível plano (ou parte dele) que desenhou, para concretizar esse fantástico e quem sabe se possível objetivo de começarmos tudo de novo, num novo planeta.

Musk vê assim o futuro da humanidade: ou ficamos na Terra até ao dia que uma catástrofe nos levará à extinção, como a queda do meteorito que provocou o desaparecimento dos dinossauros; ou nos tornamos numa espécie multiplanetária.

A história do nosso planeta, garante o bilionário, ensina-nos que um evento que nos levará à extinção vai inevitável e provavelmente acontecer, e é por isso que decidiu lançar a SpaceX na fantástica empreitada de não apenas levar o Homem a Marte, como de estabelecer uma colónia e um sistema de transporte de pessoas, mercadorias e equipamento entre os dois planetas.

Com a tecnologia que existe atualmente, um bilhete para Marte, estima o empresário, custaria cerca de 10 mil milhões de euros. Um bilhete apenas. Mas com a tecnologia que já está a ser desenvolvida, testada e a desenvolver no futuro, Musk prevê que seja possível reduzir o custo de uma viagem a Marte para apenas (e o "apenas" é por comparação com os 10 mil milhões) 200 mil euros por pessoa transportada. A explicação para tão drástica redução de custos foi vaga, mas será tentando usar materiais mais leves, foguetões mais poderosos e reutilizáveis.

Encher o tanque em órbita

Como é que tudo vai acontecer, segundo o plano apresentado por Musk? Numa nave com capacidade para levar 100 pessoas, que terá a propulsão de um foguetão com a altura de 40 andares e dois motores gigantes (apelidados de "Raptor"). Assim que a nave esteja em órbita, os propulsores voltam a aterrar - a SpaceX já conseguiu fazer um foguetão aterrar verticalmente - e sobre eles monta-se uma espécie de tanque com fuel, que servirá para abastecer de combustível a nave que aguarda enquanto orbita a Terra. A operação irá repetir-se até que o tanque esteja cheio.

Nesta altura, já estará tudo a postos para a partida em direção ao Planeta Vermelho. A viagem, a uma velocidade de 30 mil quilómetros por hora, irá demorar cerca de três meses.

Aterrar em Marte

Chegados a Marte, novos problemas se colocam. Primeiro, é preciso aterrar. Se tudo isso correr bem, será necessário perceber como é que essas 100 primeiras pessoas vão conseguir viver. A ideia é que, antes dessa primeira viagem com os colonos, outras tenham acontecido só para transportar equipamentos, materiais e outro "hardware" em que se irá sustentar a vida na primeira colónia em Marte.

O plano estabelece ainda que não será possível levar combustível também para o retorno. Musk diz que, usando os recursos naturais já existentes em Marte, será possível extrair combustível do solo marciano, nomeadamente metano, para abastecer os foguetões e a nave para a viagem de regresso. O objetivo é fazer entre 20 a 40 viagens de transporte de humanos, de ida e volta, para que dentro de 40 a 100 anos possa haver, sobre o solo vermelho do planeta vizinho, uma civilização autossustentável em Marte. Muitas outras serão precisas para transportar equipamentos.

Não houve informação sobre quem poderão ser os pioneiros. Sabe-se que, naturalmente, terão de estar preparados para morrer durante a missão. Musk sublinhou que provavelmente não serão transportadas crianças, dado que o risco de morte é elevado.

Viver no Planeta Vermelho

Na apresentação de ontem, também poucos pormenores foram dados sobre o onde se estabelecerá a primeira cidade marciana, e sobre o como será possível manter vida humana de forma segura e organizada. Um dos riscos conhecidos e normalmente falados nestas ocasiões é o risco da radiação solar, muito mais forte em Marte do que na Terra, dada a maior rarefação da atmosfera marciana. Pode provocar, entre outras complicações, doenças cardiovasculares. Musk desvalorizou esse problema: "O problema da radiação é normalmente referido, mas não é assim tão importante", diz o CEO, que explica que há também um "pouco acrescido risco de cancro", embora esteja previsto a criação de algum tipo de proteção contra a radiação solar.

Prevê-se também que será possível implantar um sistema de agricultura, porque a atmosfera de Marte contém nutrientes considerados vitais para fazer nascer e crescer alimentos, como o dióxido de carbono e o nitrogénio. Mais, a gravidade em Marte é apenas 37% da gravidade na Terra. Ora isso será fundamental para que se possa levantar voo de Marte mais facilmente do que no nosso planeta.

Primeiros passos

Mas tudo isto está ainda bastante longe, embora, como lembra a revista "Wired", tudo comece com um pequeno passo. O primeiro objetivo é enviar uma pequena nave para Marte já em 2018, numa altura em que as trajetórias das órbitas dos dois planetas diminuem a distância entre eles. Depois, a cada 27 meses, quando a Marte e Terra estão novamente muito perto, a SpaceX quer transportar sucessivamente toneladas de equipamento e materiais para a superfície de Marte.

Não se sabe, nem Elon Musk, quanto tudo isto vai custar. Sabe-se que é muito e os especialistas dizem que este anúncio não é apenas uma excentricidade do bilionário, que sabe que a sua empresa não terá capacidade para financiar tudo sozinha. A ideia terá sido angariar outros interessados, empresas e indivíduos, em ajudar a cumprir este velho sonho humano.

Correndo tudo "super bem", daqui a três anos haverá um modelo de testes da nave que irá transportar os colonos, para que esteja definitivamente pronta a partir daqui a 10 anos. "Mas não quero dizer quando é que tudo isto vai ocorrer", confessa Musk. Mais, o sucesso do plano depende de tantos fatores e de tão diversas variáveis, que, nesta altura, está muito longe de poder ser dado como garantido. "Isto tem implica um risco enorme, vai custar muito dinheiro e há uma boa hipótese de não sermos bem sucedidos. Mas vamos tentar e dar o nosso melhor".

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