Crime

O homicídio de Bianca foi usado para aumentar popularidade online

O homicídio de Bianca foi usado para aumentar popularidade online

Uma jovem de 17 anos foi assassinada, no último fim de semana, quando acompanhava o namorado a um concerto em Nova Iorque, EUA. O companheiro, que ainda tentou o suicídio após o crime, partilhou fotos do cadáver da vítima na Internet, dando origem a uma sucessão de partilhas e "clickbait", à procura de mais popularidade online.

Bianca Devins tornou-se uma figura moderadamente popular nas redes sociais, principalmente junto da comunidade "gamming", graças às constantes partilhas que fazia do seu dia-a-dia. No final da tarde do último domingo, escreve a "CNN", a polícia de Utica, em Nova Iorque, foi alertada por um homem, que ameaçava suicidar-se. Nas várias chamada que fez, Brandon Andrew Clark confessou ter assassinado a namorada.

Quando as autoridades chegaram ao local descrito por telefone, o homem golpeou o próprio pescoço com uma faca, mas acabou por ser detido. Nesse momento, um dos agentes destacado para o local viu cabelo castanho debaixo do tapete e o homem confessou que o cabelo pertencia à mulher que ele tinha ferido. A polícia acabaria por encontrar o cadáver de uma jovem, identificada como sendo Bianca Devins.

Tinham-se conhecido no Instagram

O casal tinha-se conhecido há dois meses e desenvolvido um relacionamento amoroso. Tudo correu mal, depois de uma discussão durante a ida a um concerto na cidade de Nova Iorque, a mais de uma centena de quilómetros da casa de Bianca. Mas mesmo na hora do crime, a Internet não foi esquecida por Brandon Clark, o homicida confesso. Fotos do cadáver de Bianca foram partilhadas online e quase 24 horas depois, continuavam publicadas, gerando uma movimentação complexa nas redes sociais.

Se, por um lado, houve quem pedisse para que as imagens publicadas no Instagram e na plataforma Discord fossem apagadas, houve quem aproveitasse esses avisos, para ir em busca das fotografias e ganhar proveito com elas. Segundo relata a BBC, a hashtag "RIPBianca foi, durante algum tempo, um dos tópicos mais discutidos na rede social Twitter e o perfil de Bianca no Instagram passou de dois mil seguidores para 160 mil.

Com a divulgação da história, muitos procuravam na Internet pelos nomes dos envolvidos, o que criou a movimentação para aumentar o número de seguidores do casal. E como foi divulgado que existiam fotografias dos cadáveres, o instinto mórbido de alguns internautas fez com que procurassem as imagens.

Aproveitando esta movimentação, vários utilizadores criaram contas falsas com os nomes de Bianca e Brandon, para surgirem nas pesquisas por notícias e angariarem seguidores, e outros decidiram publicitar que tinham as imagens publicadas, mas que só as mostrariam a quem fizesse "gosto nas suas contas nas redes sociais.

Para contrariar este movimento de oportunismo e voyeurismo macabro, amigos e desconhecidos decidiram publicar diversas imagens positivas, como paisagens ou corações, com as mesmas hashtags utilizadas para difundir as imagens do crime.