França

O que se sabe sobre o atacante de Estrasburgo

O que se sabe sobre o atacante de Estrasburgo

Chama-se Chérif C., tem 29 anos, nasceu em Estrasburgo e já estava sinalizado pelas autoridades. Ao início da noite desta terça-feira, abriu fogo contra mais de uma dezena de pessoas, perto de um mercado de Natal no centro de Estrasburgo, provocando a morte a pelo menos três e ferindo 14.

O homem, que se pôs em fuga depois de disparar uma arma automática e usar granadas contra várias pessoas num mercado de Natal em Estrasburgo, ainda não foi localizado. O esclarecimento foi feito pelo presidente da Câmara, Roland Ries, horas depois de alguma imprensa ter avançado que o homem se encontrava cercado pela Polícia no bairro de Neudorf. Chérif C. estará ferido, uma vez que foi atingido por militares antes de fugir. De acordo com o "Le Parisien", o homem abandonou o local de táxi.

A fotografia do suspeito que está a ser divulgada pela imprensa foi publicada pelo jornal "Est Républicain", que confirmou a identidade do homem junto de fonte policial.

O indivíduo, que está referenciado pela prática de delitos menores no passado, consta também da chamada "ficha S", uma lista que agrupa indivíduos vigiados pelas autoridades por suspeitas de ligações a atividades terroristas. De acordo com a "BFM TV", o suspeito frequentava meios radicais da cidade, pelo que a tese de atentado está a ser privilegiada pela Polícia.

O suspeito terá nascido a 4 de fevereiro em Estrasburgo e agido sozinho no ataque, que matou pelo menos três pessoas e feriu 14.

Segundo o jornal local "Les Dernières Nouvelles d'Alsace", Chérif foi condenado em 2011 a dois anos de prisão, por agredir um adolescente na sequência de uma desavença numa discoteca.

"Seriamente vigiado"

Segundo explicou hoje o secretário de Estado do Interior, Laurent Nuñez, em declarações a uma rádio francesa, o suspeito foi "seriamente vigiado" após a saída da cadeia, em finais de 2015.

No cadastro criminal conta com uma vintena de condenações por delitos comuns (violência, roubo, vandalismo) em França e na Alemanha, onde também cumpriu pena, segundo fontes citadas pela agência France Presse.

No entanto, sublinhou Laurent Nuñez, "este radicalizado nunca foi conhecido por delitos ligados ao terrorismo", desmentindo que o homem tenha tentado viajar para a Síria.

O responsável pediu prudência quanto à motivação terrorista do suspeito, adiantando que "por agora não está estabelecida", ainda que a investigação esteja a cargo do departamento antiterrorista do Ministério Público de Paris.

Na cadeia, segundo o secretário de Estado, o homem "incitava à prática religiosa radical, mas nada permitiu detetar uma passagem à prática na sua vida quotidiana".

O homem era já procurado antes do ataque de terça-feira no âmbito de um crime de assalto à mão armada com tentativa de homicídio em agosto de 2018.

No âmbito deste caso deveria ter sido interrogado, na terça-feira de manhã, pela polícia e por funcionários da Direção Geral da Segurança Interior, mas o homem não se encontrava em casa, de onde foram recolhidas uma pistola e uma granada.

O Governo francês elevou o nível de alerta no país para "emergência por atentado", com um reforço de controlo nas fronteiras, aumento de segurança nos mercados de Natal e mobilização de meios envolvidos no dispositivo antiterrorismo.

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