EUA

Obama regula utilização de "drones" e aprova moratória sobre Guantanamo

Obama regula utilização de "drones" e aprova moratória sobre Guantanamo

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou a entrada em vigor de um novo memorando sobre a utilização de aviões não tripulados e uma moratória sobre a prisão de Guantanamo, num discurso consagrado à estratégia antiterrorista.

Durante uma intervenção na Universidade de Defesa Nacional, em Washington, Obama revelou ter assinado um novo memorando que determina as circunstâncias em que devem ser efetuados ataques com aviões não tripulados (drones) no estrangeiro. Assim, as pessoas visadas por estes bombardeamentos devem representar uma ameaça "iminente" contra os norte-americanos, e prevê-se que as ações apenas sejam desencadeadas caso o suspeito em causa não possa ser facilmente capturado.

Numa referência à prisão militar de Guantanamo, em Cuba, onde desde 2002 permanecem dezenas de detidos suspeitos de terrorismo, muitos ainda sem qualquer acusação formal, o presidente norte-americano anunciou que vai levantar uma moratória sobre a transferência para o Iémen de presos que se encontram na base, apesar de prevenir que os seus dossiers serão examinados "caso a caso".

Obama, que repetiu a intenção de encerrar a prisão, uma promessa do início do seu primeiro mandato, também indicou que vai nomear um novo responsável para supervisionar as eventuais transferências de prisioneiros e apelou ao Pentágono para designar um local em território norte-americano onde serão organizados os processos militares de exceção para julgar os detidos que já foram formalmente acusados.

Ir à raiz do extremismo

O presidente norte-americano alertou ainda que uma guerra "perpétua" dos EUA contra o terrorismo está "perdida à partida", na ausência de uma estratégia para abordar as raízes do extremismo.

"Não podemos recorrer à força em todos os locais onde esteja a emergir uma ideologia radical. Na ausência de uma estratégia que reduza o extremismo na sua fonte, uma guerra perpétua, através de drones, comandos ou envio de tropas, estaria perdida à partida, e alteraria a imagem do nosso país", assegurou.

Obama apelou ainda para que "seja concluída a tarefa de derrotar a al-Qaeda e forças associadas" e assegurou que "o coração da al-Qaeda no Afeganistão e Paquistão está a caminho de ser derrotado".

Ativista antiguerra interrompeu Obama

Uma ativista antiguerra interrompeu sistematicamente o discurso do presidente dos Estados Unidos, forçando-o a ignorar algumas das notas que tinha preparado.

"A voz daquela mulher merece ser escutada. Obviamente não concordo com muito do que disse", referiu Obama após ter pedido por diversas vezes à interveniente para se sentar.

"Ela não estava a escutar o que eu dizia, mas isto são questões sérias e é errada a sugestão de que podemos ignorá-las", acrescentou.