Idai

Oikos vai distribuir alimentos a 79 mil pessoas em Moçambique

Oikos vai distribuir alimentos a 79 mil pessoas em Moçambique

A Oikos vai distribuir alimentos a 79 mil pessoas em Moçambique, onde os preços dos bens alimentares aumentaram mais de 100% em algumas áreas afetadas pelo ciclone Idai, que atingiu o país em meados de março.

A organização não governamental para o desenvolvimento alertou hoje, em comunicado, que os custos de transporte duplicaram ou triplicaram e que as famílias, muitas já com pouca capacidade económica, "perderam tudo" e não conseguem comprar bens básicos.

Esta semana, a Oikos estabeleceu um acordo com o Programa Alimentar Mundial (PAM), das Nações Unidas, para a distribuição dos alimentos.

"Durante três meses, a Oikos estará nos distritos de Dondo e Nhamatanda a distribuir alimentos em centros de acolhimento, todos os dias", lê-se no comunicado.

A organização indicou que está já a trabalhar no terreno, tendo identificado as pessoas mais vulneráveis e a precisar de ajuda mais urgente.

Foram igualmente encontrados pontos de armazenamento e distribuição.

O trabalho vai ser assegurado por uma equipa de cerca de 50 pessoas.

A Oikos está igualmente envolvida na distribuição de "kits" de emergência, nomeadamente de água e saneamento, distribuindo purificadores de água e produtos de higiene e abrigos para proteção de bens de primeira necessidade, utensílios de cozinha e limpeza, esteiras e cobertores.

"Esta ajuda será centrada nos distritos de Dondo e Beira, também durante três meses, com apoio do governo português, através do Instituto Camões, e parceiro local", acrescentou a organização.

A Oikos advertiu que a situação humanitária se agrava pelos elevados níveis de pobreza da população e que esta é a resposta rápida: "Três meses não chegarão".

Os próximos meses, segundo a organização, serão "extremamente difíceis".

A assistência humanitária em Moçambique já chegou a 28.253 famílias, duas semanas depois de o ciclone ter atingido a região centro de Moçambique, segundo o balanço mais recente feito pelas autoridades moçambicanas.

A passagem do ciclone Idai em Moçambique, no Zimbabué e no Maláui fez pelo menos 786 mortos e afetou 2,9 milhões de pessoas nos três países, segundo dados das agências das Nações Unidas.

Moçambique foi o país mais afetado, com 468 mortos e 1522 feridos já contabilizados pelas autoridades moçambicanas, que dão ainda conta de mais de 127 mil pessoas a viverem em 154 centros de acolhimento, sobretudo na região da Beira, a mais atingida.

As autoridades moçambicanas adiantaram que o ciclone afetou cerca de 800 mil pessoas no país, mas as Nações Unidas estimam que 1,8 milhões precisam de assistência humanitária urgente.

O número de pessoas salvas subiu na quarta-feira para 135.827, que estão em 161 centros de acolhimento.