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ONU diz que golpistas estão a "agravar crise política" na Guiné-Bissau

ONU diz que golpistas estão a "agravar crise política" na Guiné-Bissau

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou, esta segunda-feira, estar "gravemente preocupado" por os líderes do golpe de Estado naGuiné-Bissau estarem a "agravar a crise política", em vez de ouvirem os apelos da comunidade internacional.

Em declaração hoje divulgada pelo seu gabinete, Ban Ki-moon reitera ainda o apelo, também já feito pelo Conselho de Segurança da ONU e pelo Departamento de Estado norte-americano, para a "libertação imediata" dos líderes políticos detidos no golpe da passada quinta feira.

Ban Ki-moon afirma estar "gravemente preocupado por, apesar dos apelos da comunidade internacional para o regresso da ordem constitucional à Guiné-Bissau, os líderes do golpe de Estado de 12 de abril estarem a aprofundar a crise política".

Este agravamento da crise resulta, adianta, do anúncio de planos para criação de um Governo de unidade nacional.

"Isto é particularmente perturbador, vindo numa altura em que o povo da Guiné-Bissau deveria estar a preparar-se para eleger um novo presidente, através de eleições democráticas multipartidárias.

Na quinta-feira à noite, um grupo de militares guineenses atacou a residência do primeiro-ministro e candidato presidencial, Carlos Gomes Júnior, e ocupou vários pontos estratégicos da capital da Guiné-Bissau.

A ação foi justificada por um autodenominado Comando Militar, como visando defender as Forças Armadas de uma alegada agressão de militares angolanos, que teria sido autorizada pelos chefes do Estado interino e do Governo.

A mulher de Carlos Gomes Júnior disse hoje que este foi levado por militares na noite do ataque e encontra-se em parte incerta, assim como o Presidente interino, Raimundo Pereira.

Os acontecimentos militares na Guiné-Bissau, que antecederam o início da campanha eleitoral das presidenciais de 29 de abril, mereceram a condenação da União Africana, da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e de vários países, incluindo Portugal, que exortou os autores do "golpe militar" a libertar os políticos detidos.

Na declaração hoje divulgada, Ban Ki-moon afirma ter falado nos últimos dias, sobre a crise na Guiné-Bissau, com o presidente da Costa do Marfim e presidente da comunidade regional (CEDEAO), Alassane Ouattara, com o presidente da comissão da União Africana, Jean Ping, e também com o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas.

As conversas tiveram como objetivo "encontrar uma solução rápida e duradoura para a crise política" no país.

Ban Ki-moon saúda ainda os esforços da CEDEAO, UA e outros parceiros da Guiné-Bissau e afirma que vai continuar empenhado em facilitar uma solução, nomeadamente através do gabinete da ONU em Bissau, UNIOGBIS.

O golpe do final da semana passada foi condenado em larga medida pela comunidade internacional.

A presidência angolana da CPLP admitiu entretanto avançar para o Tribunal Penal Internacional contra as autoridades militares guineenses, "em particular" o chefe das Forças Armadas, António Indjai.

Para tal, como para serem decretadas sanções internacionais individuais contra líderes golpistas ou envio de uma força de paz sob alçada das Nações Unidas, seria necessária uma resolução do Conselho de Segurança.