Ciclone

Ordem dos Engenheiros propõe bolsa de voluntários para apoiar Moçambique

Ordem dos Engenheiros propõe bolsa de voluntários para apoiar Moçambique

A Ordem dos Engenheiros propôs ao Governo a criação de uma bolsa de engenheiros voluntários para prestar apoio técnico em Moçambique, na sequência da destruição de habitações e infraestruturas após a passagem do ciclone Idai.

Num comunicado, a Ordem do Engenheiros manifesta-se preocupada e disponível para ajudar no terreno, tendo já contactado a Ordem dos Engenheiros de Moçambique, com vista a avaliar as necessidades e as dificuldades que o país africano enfrenta.

"Temos a perfeita noção do grau de destruição de habitações e infraestruturas básicas e do grande esforço que vai ser necessário desenvolver a curto prazo para a sua reabilitação", refere a entidade, realçando que "a intervenção técnica será crucial".

De acordo com a Ordem, existe uma "grave carência de engenheiros de todas as especialidades" e é necessário suporte logístico.

Nos últimos dias, várias organizações e entidades em Portugal têm anunciado donativos ou lançado campanhas de solidariedade para com as vítimas do ciclone Idai em Moçambique.

Esta sexta-feira, a FEC - Fundação Fé e Cooperação anunciou também um programa de intervenção pós-emergência com a duração de cinco anos em conjunto com a FGS - Fundação Gonçalo da Silveira e a organização não-governamental VIDA.

Em articulação com o Instituto da Cooperação Portuguesa, o programa tem como principal objetivo "a reconstrução de estruturas básicas de educação, implementação de estruturas temporárias ensino (tendas provisórias) e distribuição de kits escolares".

Entre as várias entidades a juntarem-se à causa, a Junta de Freguesia de Matosinhos e Leça da Palmeira, distrito do Porto, está também a realizar uma campanha de angariação de bens.

Esta iniciativa visa sobretudo a recolha de bens enlatados, alimentos prioritários nesta fase. A entrega deverá ser feita nos edifícios da autarquia (Matosinhos e Leça da Palmeira), sendo posteriormente encaminhados para a delegação de Matosinhos da Cruz Vermelha Portuguesa.

O município de Espinho comunicou ao Governo estar disponível para reunir bens de primeira necessidade, informou hoje a autarquia portuguesa, geminada com a cidade moçambicana da Beira.

O presidente da Câmara de Espinho, Joaquim Pinto Moreira, disse à Lusa que o documento expressando "disponibilidade para ajudar a atenuar os efeitos da catástrofe" foi enviado para a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas e também para a Embaixada de Moçambique em Portugal.

"Temos condições para arrancar no imediato com uma campanha de angariação de bens de primeira necessidade para ajudar as vítimas do ciclone", disse o autarca, referindo que, a concretizar-se, esse apoio se verificará "no âmbito da ajuda nacional", com o Estado português a assumir a logística e os encargos do transporte da alimentação e do vestuário destinados a Moçambique.

O balanço provisório da passagem do Idai por África é de 557 mortos, dos quais 242 em Moçambique, 259 no Zimbabué e 56 no Maláui.

O ciclone afetou pelo menos 2,8 milhões de pessoas nesses três países, sendo que a área submersa em Moçambique está já estimada por organizações internacionais em cerca de 1300 quilómetros quadrados.

A cidade da Beira, no centro litoral desse país africano, foi uma das mais afetadas pelo ciclone, cuja passagem pela região na noite de 14 de março deixou, segundo a Organização das Nações Unidas, 400 mil pessoas desalojadas e a necessitar de ajuda urgente.

Uma semana depois da tempestade, contudo, há ainda milhares de pessoas que aguardam por socorro em áreas atingidas por ventos de velocidade superior a 170 quilómetros por hora e também afetadas por chuvas fortes e inundações.