Mundo

Os horrores da casa em que três mulheres estiveram sequestradas uma década

Os horrores da casa em que três mulheres estiveram sequestradas uma década

O 2207 da Avenida Seymour, em Cleveland, transformou-se numa verdadeira casa de horrores, à medida que se vão descobrindo pormenores sobre os 10 anos de cativeiro de três mulheres. Há provas de que as jovens viviam acorrentadas, foram vítimas de violência física e que abortaram várias vezes. Nasceram pelo menos cinco crianças na casa, desconhecendo-se o que aconteceu aos bebés.

A menina, de seis anos, resgatada da casa onde três mulheres estiveram sequestradas durante 10 anos, é filha Amanda Berry, a primeira adolescente a ser raptada, a mulher que gritou por socorro e conquistou a liberdade, após uma década de cativeiro, salvando outras duas companheiras de sortilégio, Gina De Jesus e Michelle Knight.

Segundo a investigação preliminar, pelo menos mais cinco bebés nasceram naquela casa, de horrores vários, em Cleveland, nos EUA. Fontes policias terão assegurado à cadeia de televisão "NewsChannel 5" que, durante uma década, houve múltiplas gravidezes das três mulheres, que sofreram vários abortos involuntários, consequências da má alimentação e da da violência física a que foram submetidas.

Não se sabe que o que aconteceu aos cinco bebés que terão sobrevivido às provações por que passaram as mães. No entanto, a investigação policial encontrou sinais de terra remexida no quintal da casa de Ariel Castro, o que pode trazer mais sombras ao negro passado daquela casa.

Casa transformada num "bunker"

A luz do dia trouxe ainda mais horror ao número 2207 da Avenida Seymour, em Cleveland, nos EUA. A investigação policial encontrou correias, correntes e outros objetos de sodomização na casa em que as três jovens estiveram sequestradas quase uma década.

Segundo as primeiras hipóteses, as mulheres viveriam no sótão e não na cave como se suspeitava. Amanda Berry, de 27 anos, Gina De Jesus, de 23, e Michelle Knight, de 32, teriam, crê-se, acesso a algumas divisões da casa, que o proprietário, Ariel Castro, transformou num verdadeiro "bunker".

"A casa estava sempre fechada. Havia lugares a que nunca podíamos ir. Havia cadeados no sótão, correntes na cave e na garagem", contou Antonhy Castro, filho do principal suspeito, Ariel, em declarações ao tablóide britânico "Daily Mail".

Anthony Castro descreve o pai, Ariel, como um homem violento e recorda que este quase lhe matou a mãe à pancada, em 1993, quando a mulher recuperava de uma operação ao cérebro.

Jovens nuas, acorrentadas e de gatas no pátio

Ariel usou uma tela metálica azul para fazer uma cerca de dois metros e deixou que as árvores e os arbustos a cobrissem, para que ninguém visse os horrores que se passavam na casa.

Mas alguns vizinhos viram. Duas mulheres dizem ter visto no quintal nas traseiras da casa três raparigas nuas, de gatas, acorrentadas e com trelas de cão ao pescoço. Três homens controlavam o que se passava. As vizinhas chamaram a polícia, que não terá respondido ao apelo.

Outra vizinha, Nina Samoylicz, que vive três portas abaixo de Ariel Castro, disse ter visto uma mulher nua no quintal da casa, há dois anos. "A princípio, pensávamos que era um jogo. Mas era muito estranho, por isso chamei a polícia", disse.

"A polícia achou que estávamos a brincar, que era uma partida, e não nos ligou", contou a mãe de Nina Samoylicz, em declarações à CNN.

Israel Lugo, que vive duas casas abaixo de Ariel Castro, disse que viu três jovens no pátio da casa e que ouviu sinais de violência. Chamou a a polícia, que foi embora porque ninguém abriu a porta.

Funcionários da polícia de Cleveland asseguraram, esta quarta-feira, que não têm registos de qualquer visita da polícia à casa de Ariel no seguimento das queixas dos vizinhos.

Admitem, no entanto, ter visitado a casa por duas vezes. A primeira, em março de 2000, por causa de distúrbios na rua, ainda antes do sequestro de Amanda Berry, em 2003, e a segunda em janeiro de 2004, devido a um assunto relacionado com o trabalho de Ariel Castro como motorista de autocarro.