Turquia

Os últimos minutos do jornalista desmembrado por "esquadrão da morte" saudita

Os últimos minutos do jornalista desmembrado por "esquadrão da morte" saudita

Desde o momento em que entrou na embaixada até ser assassinado, passaram pouco mais de sete minutos. Esta é a conclusão a que chegaram as autoridades turcas, depois de terem analisado as gravações da conversa entre o jornalista Jamal Khashoggi e a equipa do consulado da Arábia Saudita em Istambul.

"Mete-o lá fora. Vais deixar-me numa grande confusão", diz uma pessoa. A resposta não se faz esperar: " Cala-te. Se ainda queres estar vivo, cala-te". A conversa está gravada e já está nas mãos das autoridades turcas, que estão a colaborar com os EUA.

Apesar de Khashoggi não ter passaporte norte-americano, esteve no país a trabalhar como colunista do jornal "The Washington Post", depois de, em 2017, ter fugido da Arábia Saudita. Enquanto jornalista, notabilizou-se pela posição crítica em relação ao príncipe herdeiro, Mohammad bin Salman.

Quem fala primeiro é Mohamed al Otaibi, cônsul da Arábia Saudita em Istambul, presumivelmente diante do corpo do jornalista. Khashoggi entrou na embaixada, no dia 2 de outubro, para pedir o certificado de divórcio para se poder casar novamente, e nunca mais foi visto. A resposta é dada por um dos 15 homens que acabaram de chegar de Riade para interrogar e matar o jornalista.

Mesmo com pouca qualidade, nas conversas gravadas é possível compreender que toda a discussão decorre em árabe. Num determinado momento são escutados ruídos que apontam para agressões. Depois, surgem gritos, que serão do jornalista assassinado.

É graças a estas gravações que a equipa de investigadores que acompanha o caso acredita que o interrogatório, tortura e morte de Khashoggi demorou não mais do que sete minutos. Depois de assassinado, o homem terá sido desmembrado por Salah al Tubaigy, um especialista forense da Arábia Saudita, enviado para Istambul com esta missão. "Quando faço isto, ouço música. Diminui a tensão", diz o especialista.

Os 15 membros deste suposto esquadrão da morte saíram pouco depois do consulado do Turquia e regressaram ao país de origem, viajando através do Egito e dos Emirados Árabes Unidos.

A gravação é mais um ponto que comprova a teoria de que o jornalista foi assassinado e desmembrado naquele local. A sala onde o crime terá decorrido foi limpa e pintada antes de a Arábia Saudita deixar as autoridades turcas analisarem o espaço.

Torturado antes de desaparecer mergulhado em ácido

Segundo dados das autoridades turcas, o jornalista foi drogado e só depois assassinado. Cortaram-lhe os dedos da mão, ainda vivo. Foi, depois, decapitado e desmembrado, antes de ser mergulhado em ácido.

Antes de se deslocar ao consolado, o jornalista entregou o telemóvel à noiva, uma estudante turca. De acordo com o jornal "Sabah", o Apple Watch que tinha no momento do crime poderá ter gravado mais algum detalhe. Contudo, essa informação, a existir, ainda não foi revelada.