Mundo

Padre proíbe paroquianos de chorar nos enterros

Padre proíbe paroquianos de chorar nos enterros

Os habitantes da pacata localidade de San Luis de Sabinillas, em Málaga, Espanha, estão em pé de guerra com o pároco. Num abaixo-assinado em que pedem o seu afastamento, os populares acusam o padre de proibir chorar nos enterros sob a ameaça de não celebrar missa, colocar música natalícia nas cerimónias fúnebres, cobrar 50 euros por cada serviço religioso e impedir as mulheres de usar saias e decotes na igreja.

"Calai-vos! Se vocês não se calam, não rezo a missa. E se não há missa, não há enterro!". Foi desta forma que o pároco de San Luis de Sabinillas, Nicolás Timpu, reagiu ao choro convulsivo dos pais de um jovem de 25 anos, que havia falecido na sequência de um acidente de viação.

Contudo, o pároco não ficou pela ameaça. Aproveitou a ocasião para "esclarecer" que se o jovem havia morrido foi "porque pecou", como revelou ao jornal "Sur.es" uma tia do falecido.

Segundo aquele periódico, as atitudes "incorretas" do padre estão a gerar indignação no povoado e já fizeram com que um abaixo-assinado com vista à sua expulsão tivesse recolhido, até ao momento, mais de 1500 assinaturas.

Outra mulher queixa-se de o padre ter uma atitude machista. "Não permite que as mulheres vão à igreja de saias ou com um decote. E depois da catequese, manda as mães das crianças limpar o espaço, porque diz que os filhos sujam tudo", alegou.

Outros populares queixam-se de o padre colocar música natalícia durante as cerimónias fúnebres e de amedrontar as crianças da catequese, dizendo-lhes que vão arder no inferno caso cometam algum dos sete pecados capitais. "A minha filha não queria comer, com medo de cometer a gula", revelou uma paroquiana.

"Quando batizámos a minha afilhada, a mim, que era o padrinho, quis-me pôr fora da igreja porque dizia que eu não costumava frequentá-la. No final, pediu-me 50 euros pelo serviço religioso e disse que se eu não pagasse, que não seria mais o padrinho", contou outro popular.

O abaixo-assinado foi enviado ao bispo da diocese de Málaga. Nele os paroquianos solicitam que, perante "factos tão vergonhosos, despiedosos e insultuosos de um pároco", ele seja enviado para outra paróquia.