Igreja

Papa compara abusos sexuais a crianças a sacrifícios dos ritos pagãos

Papa compara abusos sexuais a crianças a sacrifícios dos ritos pagãos

O papa Francisco comparou este domingo os abusos sexuais perpetrados sobre os menores ao "sacrifício" de crianças dos "ritos pagãos", falando no último dia da cimeira dedicada ao assunto que decorreu no Vaticano.

"Isso lembra-me a prática religiosa cruel, que prevalecia no passado em algumas culturas, de oferecer seres humanos - especialmente crianças - como sacrifícios em ritos pagãos", disse o papa.

O chefe da Igreja Católica insistiu bastante na presença do "mal", considerando que o clero ao ser culpado de tais atos se tornou "um instrumento de satanás".

"A desumanidade do fenómeno ao nível mundial torna-se ainda mais grave e mais escandaloso na igreja, [pois está] em contradição com a sua autoridade moral e a sua credibilidade ética. A pessoa consagrada, escolhida por Deus para guiar as almas para a salvação, deixa-se escravizar por sua própria fragilidade humana, ou pela sua própria doença, tornando-se um instrumento de Satanás", disse Francisco.

"Nos abusos, vemos a mão do mal que nem poupa a inocência das crianças", acrescentou.

Igreja levará à justiça quem tenha cometido algum tipo de abuso

O papa Francisco assegurou que a igreja "não se cansará em fazer tudo o que for necessário" para levar à justiça quem quer que tenha cometido algum tipo de abuso sexual e que "nunca tentará encobrir nenhum caso".

Francisco discursava no final da cimeira histórica que decorreu no Vaticano perante 190 representantes da hierarquia religiosa e 114 presidentes ou vice-presidentes de conferências episcopais de todo o mundo, para debater a proteção de menores por parte do clero.

O papa argentino, no seu discurso, assinalou que a "praga" dos abusos sexuais a crianças "é universal e transversal", citando vários relatórios de instituições internacionais, e deixando claro que a situação "não diminui a sua monstruosidade dentro da igreja".

Francisco explicou ainda que as estatísticas realizadas por estas instituições e organismos internacionais são parciais porque numerosos abusos são cometidos em âmbito familiar e não são denunciados.

O chefe da Igreja Católica reafirmou ainda "com clareza" que "se a igreja descobrir um só caso de abuso - que representa já em si mesmo uma monstruosidade - esse caso será tratado com a maior seriedade".

O objetivo da igreja, acrescentou Francisco, "será escutar, tutelar, proteger e cuidar dos menores abusados, explorados e esquecidos, onde eles se encontrem".

Para tal, o papa explicou que "tem que estar em cima de todas as polémicas ideológicas", mas também criticou o que considerou "as políticas jornalísticas que muitas vezes instrumentalizam, para vários interesses, os mesmos dramas experimentados pelas crianças".

Depois de três dias de debates no Vaticano, Francisco disse ter chegado a hora de "dar diretrizes uniformes para a igreja", embora não tenha citado, medidas concretas ou mudanças na legislação do Vaticano, enumerando apenas vários pontos para a luta contra os abusos a menores.