Espanha

Parlamento chumba investidura de Pedro Sánchez como primeiro-ministro

Parlamento chumba investidura de Pedro Sánchez como primeiro-ministro

O Congresso dos Deputados espanhol (parlamento) chumbou esta terça-feira em Madrid, numa primeira votação, a investidura do socialista Pedro Sánchez como primeiro-ministro por 170 votos contra, 124 a favor e 52 abstenções.

O candidato do PSOE (Partido Socialista Espanhol) precisava de ter obtido o apoio da metade mais um, 176 votos, da totalidade dos 350 deputados espanhóis para ser reconduzido no lugar que ocupa desde junho de 2018.

Pedro Sánchez vai ter uma segunda oportunidade para ser investido daqui a dois dias, quinta-feira, à mesma hora, numa segunda votação em que apenas vai precisar de ter mais votos a favor do que contra, tendo até esse momento para negociar eventuais apoios com outros partidos.

O candidato está principalmente dependente de conversações em curso com o Unidas Podemos (extrema-esquerda) para formação de uma coligação governamental e também da abstenção de alguns partidos regionais, o que inclui os partidos nacionalistas bascos e os independentistas catalães.

Os deputados do Unidas Podemos abstiveram-se hoje, o que, segundo fontes deste partido, significa "um gesto mais" em como querem chegar a um acordo com o PSOE.

O atual chefe do Governo de gestão teve hoje apenas o apoio expresso dos 123 deputados do PSOE e de um parlamentar do Partido Regionalista da Cantábria, tendo votado contra toda a direita nacional - o PP (Partido Popular), Cidadãos (direita liberal), e Vox (extrema-direita) -- assim como a maioria dos partidos regionais de menor dimensão.

No caso de não conseguir chegar a acordo com o Unidas Podemos até quinta-feira, Sánchez precisa, no mínimo, da abstenção da extrema-esquerda para conseguir, com apoios pontuais, ter mais votos a favor do que contra.

A votação de hoje inicia um período de dois meses (até 23 de setembro) em que ainda é possível formar um novo executivo, antes da dissolução do parlamento e a convocação de novas eleições, que se realizariam a 10 de novembro próximo.

Se isso acontecer, seria a quarta vez em quatro anos que os espanhóis seriam chamados a votar para o parlamento.

Durante o debate que houve esta manhã no parlamento, Pedro Sánchez reconheceu pela primeira vez que a sua investidura pode também falhar na quinta-feira, o que prolongaria a atual situação de incerteza governativa.

Nas legislativas de 28 de abril último, o PSOE obteve 123 deputados (28,68% dos votos), o PP 66 (16,70%), o Cidadãos 57 (15,86%), a coligação Unidas Podemos 42 (14,31%) e o Vox 24 (10,26%), tendo os restantes deputados sido eleitos em listas de formações regionais, o que inclui partidos nacionalistas e independentistas.