Venezuela

Parlamento defende reincorporação de militares que não reconheçam Maduro

Parlamento defende reincorporação de militares que não reconheçam Maduro

O parlamento da Venezuela, liderado pela oposição, aprovou esta terça-feira um acordo para que militares que não reconheçam Nicolás Maduro como presidente do país sejam reincorporados nas Forças Armadas, respeitando os seus direitos, graduações e condecorações.

"Que seja garantido que cada cidadão profissional militar que decida atuar para repor a ordem constitucional e não obedecer mais a quem usurpa o poder na nossa pátria seja reincorporado nas Forças Armadas Nacionais", refere o acordo aprovado pela maioria da oposição.

O documento indica ainda que serão respeitados "todos os seus direitos", tanto ao nível das graduações como das condecorações.

Este acordo também declarou nula a expulsão de mais de 100 membros das Forças Armadas que foi decretada pelo Governo de Nicolás Maduro em 27 de fevereiro através do jornal oficial e, portanto, ordenou a reintegração desses militares.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o opositor e presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Cerca de 50 países, incluindo a maioria dos países da União Europeia, entre os quais Portugal, reconheceram Guaidó como presidente interino da Venezuela encarregado de organizar eleições livres e transparentes naquele país.

Na Venezuela, a confrontação entre as duas fações tem tido repercussões políticas, económicas e humanitárias.

A confrontação também tem dividido as Nações Unidas, onde Nicolás Maduro mantém o apoio da Rússia, China, Cuba, Irão, Coreia do Norte ou da Síria, que têm denunciado uma ingerência ocidental.

Na Venezuela residem cerca de 300 mil portugueses ou lusodescendentes.

Os mais recentes dados das Nações Unidas estimam que o número atual de refugiados e migrantes da Venezuela em todo o mundo situa-se nos 3,4 milhões.

Só no ano passado, em média, cerca de 5000 pessoas terão deixado diariamente a Venezuela para procurar proteção ou melhores condições de vida.